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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (16) em discurso durante a cúpula do G7, a convite do presidente francês Emmanuel Macron, que o combate ao crime organizado deve ser um esforço que respeite a soberania dos Estados.
A mensagem, ouvida presencialmente pelo presidente Donald Trump, foi entendida como um recado aos EUA, que designaram recentemente as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
"O combate aos crimes transnacionais também deve fazer parte da agenda de desenvolvimento. O crime organizado é um desses desafios, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados", diz uma transcrição disponibilizada no site do governo.
Sem citar os EUA, o petista afirmou que o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.
"Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas", disse perante os líderes do G7, em Évian-les-Bains.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou em 28 de maio que o governo do presidente Donald Trump decidiu classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, mesmo com a oposição do governo brasileiro.
Lula critica neoliberalismo durante discurso: "contribuiu para crises políticas"
O presidente Lula criticou em seu discurso no G7 o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, argumentando que essas práticas exacerbam as desigualdades entre países ricos e em desenvolvimento.
"O protecionismo e o unilateralismo estão ressurgindo como respostas falaciosas à complexidade dos nossos problemas", afirmou, em aparente referência ao governo Trump, segundo a transcrição de seu discurso divulgada pela Presidência da República.
O presidente sustentou que a distância entre a prosperidade das economias mais desenvolvidas e a realidade dos bilhões de pessoas que vivem no Sul Global aumentou nos últimos anos, em parte devido a políticas que favoreceram a concentração de riqueza.
De acordo com Lula, o neoliberalismo contribuiu para o aprofundamento das desigualdades econômicas e para as crises políticas que afetam atualmente diversas democracias.
Em seu discurso, o petista também alertou para a insuficiência de recursos destinados ao desenvolvimento sustentável e ao combate às mudanças climáticas. O presidente brasileiro defendeu que, para acelerar a implementação do Acordo de Paris, será necessário aumentar o financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão anualmente.
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