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Os novos arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês) revelam uma possível conexão do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein com o Brasil. Ao todo, mais de quatro mil documentos fazem referência ao país.
Uma série de conversas divulgadas com um ex-agente de modelos francês, Jean-Luc Brunel, também acusado de cometer crimes sexuais, indicam que ele era uma espécie de "braço direito" de Epstein para recrutar mulheres brasileiras para seu esquema de tráfico sexual.
Um dos arquivos liberados expõe uma tentativa do financista de comprar uma agência de modelos no Brasil, em 2016, oito anos após sua condenação por aliciar uma menina menor de idade. As mensagens sugerem que sua intenção era de ter acesso facilitado a essas mulheres.
Anos antes, em 2012, Epstein demonstrou interesse na modelo brasileira Luma de Oliveira numa troca de mensagens com o francês. Um dos arquivos revela o diálogo entre eles. "Já mencionei Luma de Oliveira, ele [Eike Batista] era ou é casado com ela", afirma Brunel, que recebe um retorno do financista: Namorada de Eike Batista? Você mencionou isso para mim?".
O ex-agente cofundou a agência de modelos MC2, com sede em Miami e que contava com uma ajuda financeira de Epstein. Em 2019, o jornal britânico The Guardian revelou uma série de denúncias contra Brunel, envolvendo tráfico sexual de mulheres estrangeiras para os EUA. Além desses casos, outras três pessoas relataram à publicação terem sido agredidas sexualmente por ele.
Brunel foi preso em 2020 e, dois anos depois, foi encontrado morto em uma cela de prisão em Paris.
Outras conexões com o Brasil
Entre os milhares de arquivos do caso Epstein que fazem menção ao Brasil está um depoimento de 2010 na Justiça da Flórida, ocasião na qual uma testemunha afirmou que o agressor sexual viajava frequentemente ao país e mantinha contato com uma mulher que lhe fornecia garotas para fins sexuais, inclusive menores de idade.
A pessoa apresentada como recrutadora, que teve o nome restringido, informou que trabalhava para o ex-agente Jean-Luc Brunel. Segundo o depoimento da ex-funcionária, a agência fundada pelo francês era basicamente sustentada por Epstein.
Em conversa com outro remetente de e-mail, Epstein demonstrou interesse em organizar um concurso de beleza. A pessoa então mencionou três agências que poderiam ser acionadas pelo financista.
"Há duas revistas de moda à venda no Brasil que estou de olho. Acho que seria divertido fazer castings para editoriais e modelos de capa em Nova York e talvez contribuir com algum conteúdo, etc. Um amigo meu que está lá encontrou-se com eles há alguns dias e entregou-lhes uma carta de intenções. Ambas as empresas estão passando por auditorias depois das quais saberei quanto valem as empresas/ações. Te aviso assim que tivermos o resultado", escreveu a pessoa, identificada como Ramsey Elkholy.
"O Brasil é lento! É por isso que não entrei em contato antes, não havia nenhuma informação nova". Em seguida, o remetente ofereceu mediar uma reunião com a dona de uma das agências.
Epstein então respondeu: "Você quer possuir uma parte da alegria?".
O remetente diz que uma das agências seria vendida por um "preço bem mais em conta". Ele prossegue na mensagem dizendo que "então talvez essa seja a melhor maneira de minimizar os riscos".
"Ainda estou esperando os números, mas tem mais uma coisa que estou considerando: é um concurso/seleção de modelos que acontece todo ano no Brasil, tipo um concurso de modelos de elite. Envolveria pagar o organizador, que então encontraria patrocinadores e eles vasculhariam o país em busca de modelos em potencial. Você teria interesse
em participar? Dessa forma, vocês teriam garotas mais jovens e menos saturadas pela indústria da moda. Rostos novos, basicamente. Então essa é outra opção", diz o e-mail.
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