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Duas semanas se passaram desde que os EUA invadiram o complexo do ditador Nicolás Maduro, em Caracas, e o levaram para ser julgado nos EUA por acusações de narcotráfico, juntamente com a mulher, Cilia Flores. Para o jornal americano Wall Street Journal, no entanto, segundo artigo deste fim de semana, o regime de Maduro segue operante na figura de seu líder mais importante ainda em liberdade, o ministro Diosdado Cabello.
Trump disse que os EUA governariam a Venezuela até segunda ordem. Mas, de acordo com o jornal, a ditadora Delcy Rodríguez colabora com os EUA “com palavras, não ações”. Trump encarregou o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e a de Segurança Interna e Migração, Kristi Noem, de coordenar a transição na Venezuela e garantir que a ditadora interina do país, Delcy Rodríguez, "coopere".
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A boa notícia, segundo o WSJ, é que as forças armadas estão fragmentadas, o que significa alguns setores favoráveis a uma transição à democracia. “Alistando e organizando esses patriotas, poderíamos restaurar a ordem e evitar um colapso institucional como o do Iraque” depois da deposição de Saddam Hussein, segundo o WSJ.
A má notícia, para o jornal, é que o implacável ministro do interior, com "ideologia anti-americana", ainda controla a maior parte das forças armadas e milícias e haveria elementos para afirmar que ele está “planejando se apoderar de tudo”.
“A menos que ele seja neutralizado”, o plano do secretário de Estado Marco Rubio para a Venezuela “provavelmente não acontecerá”, diz o artigo.
Libertação de prisioneiros
O jornal ainda afirma que a liberação de prisioneiros é realizada pela Venezuela de forma lenta, o que "não passa um bom sinal". “Por que essa libertação gradual? Uma das razões pode ser que muitos dos presos estariam em péssimas condições e envergonhariam Delcy Rodríguez, que tentaria cultivar uma imagem de 'civilidade'".
Um problema maior, tanto para para Delcy quanto Cabello é que, se a prisão for descartada, perderiam a “ferramenta necessária de repressão” para seguir no poder. Desde que Maduro foi levado, há relatos de agentes do regime, que seriam ligados a Cabello, tanto uniformizados como à paisana, intimidando a população com ameaças de prisão e violência física.
O jornal encerra o artigo dizendo que Delcy fala o que os EUA querem ouvir, ao mesmo tempo em que tenta agradar a Cabello. “Um dos lados precisa cair”, conclui o artigo.
Face da ala militar
Considerado o mais linha-dura dos líderes remanescentes do regime, Diosdado Cabello é o rosto da ala militar do chavismo desde o seu início, responsável por executar as ordens repressivas do ditador deposto Maduro contra a oposição.
Cabello disse nesta semana que ditadura chavista “não vai descansar” até conseguir a libertação e o retorno do ditador Nicolás Maduro.
Cabello reforçou que a ditadura de Caracas não mede esforços para reverter o que classifica como o “sequestro” de Maduro. Delcy Rodríguez, por sua vez, já havia dito anteriormente que não “descansaria um minuto” até ter Maduro de volta ao país.
Organismos internacionais estimam que tanto Maduro como Cabello acumularam uma fortuna de bilhões com o regime.






