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Poluição

O mal que vem do ar

Cientistas prevêem que 100 milhões de mortes prematuras poderiam ser evitadas com a redução pela metade das emissões de gases do efeito estufa até 2050

Nuvem de poluição envolve o centro de Los Angeles, nos Estados Unidos, um dos países que mais emitem gás carbônico (CO2) na atmosfera: 186 milhões de norte-americanos moram em áreas com altos índices de poluição atmosférica | Gabriel Bouys/AFP
Nuvem de poluição envolve o centro de Los Angeles, nos Estados Unidos, um dos países que mais emitem gás carbônico (CO2) na atmosfera: 186 milhões de norte-americanos moram em áreas com altos índices de poluição atmosférica (Foto: Gabriel Bouys/AFP)
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Londres - Um ar mais puro, com a redução nas emissões de gases causadores do efeito estufa, pode trazer benefícios aos moradores das grandes cidades e à economia dos países. Essa é a conclusão de um estudo da Agência Ambiental da Holanda, divulgado no começo da semana.

Os pesquisadores afirmam que, até o ano 2050, cerca de 100 milhões de mortes prematuras irão ocorrer devido a problemas relacionados com a poluição do ar, o que poderia ser evitado por meio de medidas simples, como o uso de veículos com baixas emissões de carbono.

O relatório aponta que, caso os governos insistam nos modelos de negócios atuais, com alto consumo energético, somados ao crescimento e envelhecimento populacional e o aumento de áreas urbanizadas, teremos mortes prematuras causadas pelo aumento de 30% na poluição nos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e em 100% para os países fora dela.

O estudo também revela implicações das técnicas e tecnologias escolhidas para reduzir a quantidade de gás carbônico (CO2) e outros gases estufa presentes no ar. O documento afirma que, apesar da tecnologia de captura e armazenamento de carbono conseguir capturar o CO2, ela não consegue normalmente capturar outros gases poluentes.

De acordo com o estudo, a redução do número de veículos em circulação e também as emissões produzidas por eles diminuiria os índices de gases estufa e ajudaria na diminuição de outros poluentes despejados no ar por meio dos sistemas de exaustão (escapamentos).

Jim Storey, conselheiro da política de qualidade do ar na Agência Ambiental Britânica, diz que que as políticas climáticas deveriam ter mais ciência sobre seus efeitos para que se diminua a poluição do ar. "Existem enormes alternativas benéficas para que se previnam mudanças climáticas e se invista mais na qualidade do ar, as quais deveriam ser implementadas de imediato, tais como aumentar a eficiência energética das residências e reduzir as emissões produzidas pelos veículos. O transporte é o maior responsável pela poluição do ar no Reino Unido e corresponde por 20% das emissões de gás estufa de toda a Grã-Bretanha", relata.

O estudo também revela que os ganhos econômicos com um ar mais limpo poderiam ser atrativos para países em desenvolvimento durante as negociações e conversas sobre as ameaças climáticas em Copenhague, no final deste ano. Ao deixar de perder vidas de pessoas em idade de trabalho, , devido à poluição, a Índia e a China, por exemplo, poderiam aumentar seus PIBs em até 5% em 2050, resultado este trazido apenas pelo ar mais puro.

"Os benefícios de políticas de mitigação climática em combate à poluição atmosférica local servem de incentivo econômico extra para que os países assinem um acordo mundial para diminuir as emissões de gases estufa", aponta Johannes Bollen, um dos autores do relatório.

Áreas poluídas nos EUA

As ameaças que a poluição do ar traz à saúde já são bem conhecidas. De acordo com pesquisas recentes da Associação Americana de Pneumologia, 186 milhões de pessoas moram hoje em áreas com índices assustadores de poluição atmosférica nos EUA.

"Apesar dos 40 anos da assinatura do Ato do Ar Limpo, em 1970, seis entre dez norte-americanos ainda vivem em áreas com ar tão poluído que o simples ato de respirar não pode ser considerado como saudável", revela Paul Billings, membro da associação.

Além de veículos a diesel e usinas termoelétricas a carvão, principais responsáveis pela poluição atmosférica dos EUA, a pesquisa apontou que também seria necessário diminuir, até 2030, o número de navios de cruzeiro, cargueiros e embarcações militares, responsáveis por 45% das emissões de partículas no país.

Dados confidenciais que vieram à tona recentemente sugerem que os maiores navios do mundo podem estar poluindo o equivalente aos 760 milhões de carros em todo o planeta.

No Reino Unido, um relatório publicado no início deste mês pelo Comitê da Assembléia do Meio Ambiente de Londres afirma que a baixa qualidade do ar londrino pode ter sido o responsável por cerca de 3 mil mortes na capital britânica em 2005.

Londres possui a pior qualidade do ar em toda a Grã-Bretanha e também na Europa em decorrência das altas emissões de partículas fuliginosas conhecidas como PM10s e também de dióxido de nitrogênio.

Os principais poluentes atmosféricos que trazem riscos à saúde humana incluem o dióxido de nitrogênio, o dióxido de enxofre, componentes orgânicos voláteis, amônia e partículas fuliginosas produzidas com a queima de combustíveis fósseis em usinas termoelétricas e veículos. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, como a asma, são os mais afetados.

Tradução: Thiago Ferreira

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