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Saúde

O plano B contra a gripe aviária

São Paulo – A vacina para a gripe aviária provavelmente só será uma realidade quando o vírus for transmitido entre humanos. A partir daí, os cientistas terão mais informações para formular o medicamento. O plano B, no caso de ocorrer a pandemia e não existir a vacina, seria a utilização do remédio Tamiflu. Quem explica esse cenário é a gerente médica da Roche responsável pelo Tamiflu, Cláudia Gasparian, que participou do 1.º Evento sobre Gripe e Gripe Aviária, quinta-feira, na Universidade de São Paulo (USP).

O medicamento foi registrado no Brasil em 2000 para tratamento e profilaxia contra o vírus causador da gripe (influenza). Em maio deste ano, a Anvisa liberou o uso do Tamiflu em crianças acima dos 8 anos. "A Anvisa está analisando desde abril a liberação do medicamento para crianças a partir de 1 ano", diz Cláudia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou o Tamiflu para auxiliar no combate de uma pandemia de gripe aviária. "Se for tomado até 48 horas após os sintomas terem se iniciado, o medicamento tem eficiência máxima. Pacientes com insuficiência renal devem ter precaução", acrescenta a médica.

O Japão é o maior usuário do medicamento para influenza, consumindo cerca de 6 milhões de tratamentos ao ano.

Em 2005, o medicamento foi retirado do mercado brasileiro por conta do uso indiscriminado. "As pessoas se apavoraram e começaram a estocar o remédio em vários países", lembra Cláudia.

Carlos Magno Fortaleza, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, reitera que não há motivo para pânico. "Estocar medicamento não fará diferença. Além disso, se houver uma corrida às farmácias, pode faltar remédio para pacientes que precisam do Tamiflu em situações cirúrgicas, como alguns transplantados."

Vale lembrar que todo medicamento só pode ser tomado sob orientação de um médico.

O governo brasileiro deve receber até o fim do ano as 9 milhões de doses de Tamiflu que comprou da indústria farmacêutica Roche, única fabricante do medicamento. Cada caixa de comprimidos custa em média R$ 100, mas para os governos o produto está sendo vendido na apresentação em pó e a preço de custo, segundo a Roche.

A jornalista viajou a convite da Roche.

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