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Na Grécia

O que Marco Rubio disse sobre o Ocidente no pronunciamento que o WSJ chamou de “discurso do ano”

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Marco Rubio discursou diante da Acrópole, em Atenas, e criticou políticas de fronteiras abertas e a perda de soberania dos países ocidentais. (Foto: ALEXANDROS VLACHOS/EFE/EPA)

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (7), durante um discurso em Atenas, na Grécia, que o Ocidente perdeu parte de sua força ao abandonar o nacionalismo, abrir suas fronteiras, transferir indústrias para outros países e entregar decisões a organismos internacionais. O pronunciamento, feito diante da Acrópole de Atenas, foi elogiado pelo conselho editorial do jornal americano The Wall Street Journal (WSJ), que o classificou como o “discurso do ano”.

No discurso, Rubio usou a história da Grécia Antiga para defender que os Estados Unidos e os países europeus recuperem a confiança em sua própria civilização. Segundo ele, os gregos antigos deixaram ao Ocidente muito mais do que a democracia e a filosofia. O secretário afirmou que a ambição, a coragem, a busca pelo conhecimento e a disposição para enfrentar riscos também fazem parte dessa herança e ajudaram a transformar os países ocidentais em potências econômicas, científicas e militares.

“Hoje, uma parte grande demais do Ocidente esqueceu essa qualidade. Com o tempo, nós, no Ocidente, passamos a sentir vergonha das próprias coisas que nos tornaram excepcionais. Ficamos constrangidos pelo fato de nossas conquistas nos diferenciarem do restante do mundo. Nossa prosperidade, de alguma forma, tornou-se motivo de culpa”, afirmou Rubio.

O secretário disse que essa mudança de pensamento teve consequências para a economia, a segurança e a independência dos países ocidentais. Na avaliação dele, enquanto governos europeus e americanos passaram a questionar sua própria história, outras potências aproveitaram a oportunidade para ampliar sua influência no mundo.

“A palavra ‘nacionalismo’ se tornou um palavrão. E assim derrubamos nossos monumentos, condenamos nossa própria história. E, em muitos lugares, ensinamos nossas crianças a sentir vergonha dos países que herdariam”, declarou.

Rubio continuou dizendo que os países ocidentais abriram suas fronteiras, transferiram a produção industrial para o exterior e permitiram o enfraquecimento de suas forças militares. Ele também criticou o aumento da influência de organizações internacionais sobre decisões que antes eram tomadas pelos governos nacionais.

Rubio apontou a Grécia Antiga como origem da força do Ocidente

O pronunciamento do secretário de Estado americano ocorreu na colina de Pnyx, em Atenas, onde os cidadãos da Grécia Antiga se reuniam para participar das assembleias políticas. Ao fundo estava a Acrópole, conjunto de monumentos que inclui o Partenon, um dos principais símbolos da civilização grega.

Rubio começou seu discurso lembrando que, em 480 a.C., os persas invadiram Atenas e destruíram os templos da Acrópole. Parte da população havia deixado a cidade, mas um grupo de atenienses permaneceu no local e tentou resistir aos invasores. Eles foram derrotados, e os persas incendiaram os santuários. Décadas depois, os gregos reconstruíram a região e ergueram o Partenon.

O secretário usou esse episódio para falar da capacidade de resistência dos antigos gregos e da influência que sua civilização exerceu sobre os países ocidentais. Ele lembrou que os fundadores dos Estados Unidos estudavam a história da Grécia e de Roma e buscaram inspiração nessas sociedades para organizar o novo país.

Segundo Rubio, essa influência pode ser vista tanto nas instituições americanas quanto na arquitetura de Washington, marcada por colunas e monumentos inspirados na Antiguidade. Ele também citou os textos de O Federalista, escritos durante os debates sobre a Constituição dos Estados Unidos, e afirmou que Plutarco, historiador e biógrafo grego, foi o autor mais citado nesses escritos.

“Atenas nos deu a democracia. Platão e Aristóteles nos deram a filosofia ocidental. Nossas ideias de lei, virtude, cidadania e governo republicano foram moldadas nas cidades-Estado gregas”, afirmou.

Rubio disse, porém, que a principal contribuição dos gregos foi a maneira como passaram a observar o mundo. Segundo ele, a civilização grega desenvolveu a convicção de que os fenômenos da natureza poderiam ser estudados, medidos e compreendidos pela razão humana.

“Não é apenas a ambição de explorar o desconhecido que herdamos dos gregos; é a convicção de que o desconhecido pode ser conhecido”, afirmou.

Para o secretário, essa maneira de pensar abriu caminho para o desenvolvimento da matemática, da medicina, da ciência e da filosofia. Ele afirmou que a ideia de um universo organizado por leis que os seres humanos podem compreender também influenciou a formação do pensamento religioso ocidental. Rubio relacionou essa herança ao crescimento do cristianismo na Europa. Segundo ele, a filosofia grega ajudou a preparar o ambiente intelectual no qual o cristianismo se desenvolveu e influenciou o pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, além da tradição do direito natural.

“Essa foi a base da mente ocidental: nossa matemática, nossa ciência, nossa medicina. Nossa filosofia, ética e religião”, declarou.

O secretário afirmou que dessa combinação surgiu uma civilização que compartilhava não apenas uma cultura, mas também uma maneira de compreender o ser humano e seu lugar no universo. Ele citou a busca pela verdade, pelo bem, pela beleza e pela excelência como valores fundamentais dessa civilização.

Secretário criticou sociedade que evita riscos e "valoriza a mediocridade"

Rubio também comparou os valores dos antigos gregos aos das sociedades ocidentais modernas. Segundo ele, os gregos valorizavam a competição e a busca pela excelência em áreas como filosofia, poesia, artes, esportes e política. Para o secretário, essa disputa por superar limites ajudou a produzir algumas das maiores realizações culturais e intelectuais da Antiguidade.

O secretário americano disse que essa visão contrasta com ideologias modernas que procuram eliminar os riscos, os fracassos e as diferenças de desempenho entre as pessoas.

“Com muita frequência, hoje construímos para baixo. Projetamos nossos padrões para garantir que ninguém perca; nos preocupamos mais com o conforto dos piores do que com o potencial dos melhores”, afirmou.

Ele acrescentou que, ao fazer isso, as sociedades acabam limitando aqueles que poderiam alcançar resultados extraordinários.

“Os homens que construíram o Partenon construíam para cima”, disse Rubio, ao afirmar que os antigos gregos consideravam a busca pela excelência uma das maiores aspirações humanas.

Para explicar essa disposição, o secretário utilizou a palavra grega thumos, que associou à paixão, à coragem, à força e ao orgulho. Segundo ele, essas características são fundamentais para a sobrevivência de uma civilização.

“Sem isso, as nações perdem a vontade de lutar, a vontade de se esforçar, a vontade de sobreviver”, afirmou.

Governo Trump quer recuperar indústria, tecnologia e poder militar

Depois de apresentar suas críticas ao Ocidente, Rubio afirmou que o governo do presidente Donald Trump decidiu seguir um caminho diferente nos EUA.

Segundo ele, os Estados Unidos estão tentando neste momento, sob Trump, recuperar o controle de cadeias de produção consideradas estratégicas, reconstruir sua capacidade industrial, fortalecer as Forças Armadas e disputar a liderança em novas tecnologias.

“Sob o presidente Trump, os Estados Unidos fizeram sua escolha. Escolhemos buscar o poder nacional sem pedir desculpas”, declarou.

Rubio citou a produção de semicondutores, a exploração de minerais críticos, a inteligência artificial, a segurança cibernética, os drones e as novas tecnologias militares como áreas nas quais Washington pretende ampliar sua capacidade de atuação.

O secretário também mencionou o objetivo de voltar a enviar astronautas à Lua e de iniciar uma nova fase de exploração espacial. Para ele, essas iniciativas fazem parte da mesma tradição de descoberta e ambição que começou na Grécia Antiga.

Rubio afirmou que os países ocidentais precisam recuperar a capacidade de defender seus interesses, inclusive com o uso da força quando a diplomacia não for suficiente.

“Eles [os gregos antigos] compreendiam que o poder exige não apenas ter os meios para se defender, mas também a credibilidade de que se está disposto a usá-los”, disse.

O secretário afirmou que o governo Trump pretende recuperar essa visão da política internacional e defendeu que os países europeus também ampliem seus investimentos militares. Segundo ele, o aumento dos gastos com defesa entre os integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é um sinal de que parte da Europa começou a mudar sua postura. Rubio elogiou a Grécia pela cooperação com os Estados Unidos nas áreas de energia, imigração e segurança.

“Queremos vencer juntos. Precisamos vencer juntos”, declarou.

Ele também afirmou que as alianças internacionais não devem substituir a soberania dos países que as integram. Para Rubio, a função dessas organizações é ajudar os Estados a proteger seus interesses e enfrentar ameaças comuns, sem exigir que abandonem suas identidades nacionais.

Secretário relacionou o patriotismo e o cristianismo à ideia de sacrifício

Em outro momento do discurso, Rubio voltou à história da Grécia para falar da importância da coragem, do dever e da disposição para defender princípios mesmo diante da morte. Ele citou Sócrates, que aceitou sua condenação à morte em Atenas em vez de abandonar sua busca pela verdade, e os 300 espartanos que enfrentaram um exército persa muito maior na Batalha das Termópilas. O secretário também mencionou Aquiles, personagem da mitologia grega que escolheu permanecer na Guerra de Troia mesmo sabendo que poderia morrer.

Segundo Rubio, esses exemplos ajudaram a formar a maneira como o Ocidente passou a compreender o heroísmo. Ele afirmou que essa tradição aparece posteriormente nos mártires cristãos, que se recusavam a abandonar sua fé, e nos soldados que morreram defendendo seus países.

“É dos gregos que o Ocidente herdou seu senso de dever: uma lealdade inquebrável ao próprio código, à própria causa, ao próprio país”, declarou.

Rubio afirmou que essa concepção de sacrifício é diferente daquela defendida por grupos extremistas que exaltam a morte como um objetivo. Nesse trecho, ele criticou os líderes religiosos do regime islâmico do Irã, acusando-os de transformar terroristas suicidas em "heróis nacionais".

“Nossos heróis podem estar dispostos a morrer por sua causa; mas nossos heróis não veneram a morte”, afirmou.

O secretário disse que, na tradição ocidental, o sacrifício é considerado heroico justamente porque a vida tem valor. Segundo ele, essa compreensão foi transmitida ao longo dos séculos pela cultura grega, pelo cristianismo e pelas instituições políticas europeias.

Rubio também citou Michelangelo, Copérnico, Galileu, Kepler e o físico e matemático Isaac Newton como exemplos de pessoas que deram continuidade à busca pelo conhecimento iniciada pelos antigos gregos. Ele relacionou essa tradição às grandes navegações e à chegada dos americanos à Lua, em 1969.

Rubio alertou que Ocidente pode entrar em período de declínio

Ao final do seu pronunciamento, Rubio afirmou que os países ocidentais enfrentam um momento decisivo para seu futuro. Ele disse que as ameaças militares, a disputa por recursos naturais, a concorrência tecnológica e o terrorismo continuam presentes, apesar da criação de instituições internacionais e dos esforços diplomáticos para evitar conflitos.

Segundo o secretário, outros países não deixaram de buscar poder e influência apenas porque o Ocidente passou a valorizar mais a cooperação internacional. “A guerra não desapareceu simplesmente porque preferíamos a paz”, afirmou.

Rubio defendeu que os Estados Unidos e seus aliados europeus reconstruam suas instituições e fortaleçam suas alianças para enfrentar essas ameaças. “O caminho que escolhermos determinará se o Ocidente manterá seu lugar à frente do mundo ou se resignará a um futuro de atrofia, servidão e declínio”, declarou.

O secretário encerrou o discurso afirmando que os países ocidentais precisam voltar a valorizar sua história e recuperar a coragem que, segundo ele, marcou a formação de sua civilização. Segundo Rubio, os exemplos deixados pelos antigos gregos continuam importantes porque mostram que o desenvolvimento de uma sociedade depende não apenas de suas instituições, mas também da disposição de seus cidadãos de defender seus valores.

“Devemos sentir orgulho, um orgulho intenso, de onde viemos”, afirmou.

O jornal The Wall Street Journal classificou o discurso de Rubio na Grécia como o “discurso do ano” e destacou que o secretário fez uma defesa forte das raízes históricas e culturais do Ocidente, feita em um momento de disputas entre os Estados Unidos e a Europa sobre comércio, segurança e política internacional.

Leia a íntegra do discurso de Rubio:

Existem grandes ruínas espalhadas por todo o mundo. Em muitos casos, são lugares onde a história parece ter se esgotado: vestígios de culturas distantes que há muito desapareceram da memória viva.

Mas a Acrópole é diferente.

Durante milhares de anos, a civilização que construiu aquilo que está atrás de mim cativou a imaginação do mundo ocidental. Gerações de nossos estadistas, artistas e filósofos olharam para ela com admiração e reverência.

O tempo tem a tendência de fazer com que os acontecimentos históricos percam parte de seu impacto: grandes vitórias e derrotas catastróficas parecem se reduzir a uma nota de rodapé em um livro didático, um fato para nossas crianças memorizarem e esquecerem. Mas os gregos da Antiguidade parecem exercer uma influência quase mística sobre nossa memória. Eles nos fazem voltar a eles, repetidas vezes.

No ano 480 antes de Cristo, os exércitos de Xerxes chegaram a esta cidade e incendiaram seus santuários. A maioria dos atenienses já havia sido evacuada de navio para uma ilha próxima. Mas um pequeno grupo se recusou a abandonar sua terra. Em vez disso, eles se entrincheiraram na fortaleza rochosa da Acrópole para travar uma extraordinária resistência final, lançando enormes pedras dos penhascos sobre os invasores persas e mantendo o maior império da época à distância durante dias. Por fim, foram vencidos. Os persas saquearam os templos, incendiaram os santuários e arrasaram a Acrópole. Mas, quando os atenienses retornaram, reuniram os restos destruídos da antiga Acrópole e os enterraram na colina onde ela havia se erguido. E, décadas depois, sob Péricles, construíram o Partenon.

Desde então, há 25 séculos, o Partenon permanece de pé. Impérios surgiram e caíram à sua sombra. E os descendentes dos homens que o construíram - os filhos de Atenas e de Roma - levaram sua civilização até os confins da Terra.

Dois séculos e meio depois da fundação da República americana, do outro lado do mundo em relação ao lugar onde estou agora, estou aqui hoje como secretário de Estado dessa República e bisneto de colonos que chegaram ao Novo Mundo vindos da Espanha. Estou aqui para testemunhar uma dívida que nenhuma passagem do tempo, nenhuma distância no espaço poderá jamais extinguir.

A história da América, a história do meu país, está coberta pelas impressões digitais da Antiguidade. A Grécia está literalmente esculpida na arquitetura de nosso governo: nas colunas imponentes, nas cúpulas e nos monumentos espalhados por nossa capital. A cidade onde nossa Constituição nasceu - Filadélfia - tem, ela própria, um nome grego.

Os homens que fundaram meu país eram fascinados pela herança que recebemos do seu. Eles conheciam excepcionalmente bem a história - tinham plena consciência de seu lugar singular nela -, mas nenhuma outra época do passado prendeu tanto sua atenção ou sua imaginação quanto a Antiguidade. Muitas, muitas pessoas ficam surpresas ao saber que o autor mais citado nos Artigos Federalistas não foi um filósofo do Iluminismo nem um teórico político. Não, o autor mais citado nos Artigos Federalistas foi Plutarco, o biógrafo grego dos grandes homens da Grécia e de Roma.

Muito já foi escrito e dito sobre a influência da Grécia Antiga nas ideias dos fundadores dos Estados Unidos - e, nesse sentido, também sobre todos os filósofos e estadistas ocidentais que os precederam. A maioria de nós conhece a história básica. Atenas nos deu a democracia. Platão e Aristóteles nos deram a filosofia ocidental. Nossas ideias de lei, virtude, cidadania e governo republicano foram moldadas nas cidades-Estado gregas. Até mesmo grande parte de nosso vocabulário político - palavras como democracia, tirania e a própria palavra “política” - teve origem aqui.

Tudo isso é verdade. Mas aquilo que devemos a este lugar - como americanos e como ocidentais - é, na realidade, muito, muito mais profundo. Essas instituições e ideias eram a expressão externa de qualidades mais fundamentais que vemos nos antigos gregos - qualidades que não podem ser reduzidas a qualquer sistema ou teoria política em particular.

Aqui, em Atenas, encontramos a primeira manifestação plena de todas as características essenciais que viriam a definir o Ocidente: individualidade intensa e ambição incansável; exploração e invenção ousadas; o desejo de descoberta, de aventura, de risco e de glória. Uma curiosidade insaciável sobre o mundo e os princípios pelos quais ele funciona, uma fome de conhecer os mistérios da natureza e compreender os segredos do cosmos. Uma impaciência diante da ideia do impossível, uma resistência a todas as fronteiras e limites, um esforço para enxergar as profundezas do desconhecido.

Essas não eram apenas fórmulas ou preceitos de uma determinada escola filosófica. Eram características de um povo - expressas em suas tradições, suas histórias, sua imaginação; nas qualidades que exigiam de seus cidadãos; nas coisas pelas quais viviam, lutavam e morriam.

Conhecê-los é conhecer a nós mesmos.

O que floresceu aqui, neste lugar, foi o desejo ocidental de descobrir tudo aquilo que a ignorância, a escuridão e a distância haviam mantido oculto da mente humana. Os gregos não apenas moldaram a história; os gregos nos deram a própria história. Muito do que sabemos sobre muitas civilizações antigas vem quase inteiramente dos registros de exploradores e historiadores gregos, exploradores e historiadores que não apenas registravam a história de seu próprio povo, mas se aventuravam para observar e registrar as histórias de povos e culturas estrangeiras em todo o mundo.

Enquanto outros olhavam para dentro, os gregos foram os primeiros a direcionar seu olhar para fora, a perseguir a emoção e a glória de conhecer tudo aquilo que era estranho e novo. Foi essa característica que levaria o Ocidente a criar e construir coisas que outros não conseguiam, distinguindo-nos de tantas outras culturas e civilizações nas quais a estabilidade e a subsistência eram os objetivos mais elevados da vida.

Mas não é apenas a ambição de explorar o desconhecido que herdamos dos gregos; é a convicção de que o desconhecido pode ser conhecido. A confiança de que o mundo pode ser descrito em cartas, medido, mapeado e compreendido - e de que existe uma ordem racional no cosmos, governada por determinadas leis fundamentais, leis que os homens podem observar e que a mente pode chegar a compreender.

Essa foi a base da mente ocidental: nossa matemática, nossa ciência, nossa medicina. Nossa filosofia, ética e religião. Ela preparou o caminho para que o Evangelho de Jesus Cristo encontrasse terreno fértil na Europa e florescesse no império da cristandade. Foi a base da riqueza da teologia cristã - de Agostinho e Tomás de Aquino e de toda a tradição do direito natural.

Ela deu origem a uma civilização marcada não apenas por uma cultura comum, mas por uma antropologia comum - uma visão compartilhada do homem e de seu lugar no universo. Seus descendentes compartilhariam não apenas a ideia de uma ordem natural, mas uma compreensão própria da virtude; do destino e da sorte; da verdade, da bondade e da beleza; de um código que determina como os homens devem viver; de padrões e ideais objetivos pelos quais se deve lutar.

Para os gregos da Antiguidade, a busca pela excelência era o próprio princípio da existência humana. Eles organizavam toda a vida cívica em torno da disputa, da ambição, da competição: na filosofia e na poesia, na escultura e no teatro, nos esportes e na arte, na guerra e na condução dos assuntos de Estado. A cidade grega clássica era uma arena para que grandes homens se colocassem à prova e demonstrassem seu valor, aperfeiçoassem seu potencial por meio da luta permanente - para serem os melhores, os mais fortes, os mais belos, esforçando-se para chegar cada vez mais perto da perfeição.

Sei que, aos ouvidos modernos, o que acabei de descrever, esse modo de vida, pode soar estranho; pode até parecer cruel. O ideal de muitas ideologias de nosso tempo tornou-se, francamente, um mundo de segurança perfeita, sem riscos ou fracassos, sem a glória da vitória nem a vergonha da derrota. Com frequência excessiva, hoje construímos para baixo. Elaboramos nossos padrões para garantir que ninguém perca; preocupamo-nos mais com o conforto dos piores do que com o potencial dos melhores. Mantemos as coisas mais excepcionais entre nós reféns da média, do comum, do medíocre.

Os homens que construíram o Partenon construíam para cima. Eles acreditavam que a aspiração mais elevada e nobre da vida era superar todos os outros, esforçar-se para ser o melhor em todas as coisas. As antigas cidades-Estado gregas eram repletas de paixão intensa, rivalidade, facções e conflitos. Mas foi dessa luta constante pela distinção que surgiu o grande florescimento da arte, da filosofia e da energia política e intelectual que transformaria um conjunto de cidades mediterrâneas no berço da maior civilização do mundo.

O thumos, como os antigos gregos o chamavam - o fogo da paixão, da força, da coragem, do orgulho -, é o coração de uma grande civilização. E sem ele? Sem ele, as nações perdem a vontade de lutar, a vontade de se esforçar, a vontade de sobreviver.

Hoje, uma parte grande demais do Ocidente esqueceu essa qualidade. Com o tempo, nós, no Ocidente, passamos a sentir vergonha das próprias coisas que nos tornaram excepcionais. Ficamos constrangidos pelo fato de nossas conquistas nos diferenciarem do restante do mundo. Nossa prosperidade, de alguma forma, tornou-se motivo de culpa. Já não acreditávamos que merecíamos nossa grandeza e que a havíamos conquistado.

A palavra “nacionalismo” tornou-se um palavrão. E assim derrubamos nossos monumentos; condenamos nossa própria história. E, em muitos lugares, ensinamos nossas crianças a sentir vergonha dos países que herdariam. Nesse processo, abrimos nossas fronteiras, transferimos nossa indústria para o exterior e permitimos que nossas forças militares enfraquecessem e entrassem em decadência.

E, a cada ano que passava, parecíamos transferir cada vez mais nossa soberania para outros, entregando nossas decisões a burocracias globais muito além do alcance de nosso controle.

Mas outros ficaram muito satisfeitos em preencher o vazio que deixamos - o vazio deixado por nossa fraqueza. E, à medida que a confiança do Ocidente vacilava, seus adversários e rivais se tornavam cada vez mais assertivos, acumulando riqueza e poder em nosso lugar.

E agora, hoje, estamos diante de uma encruzilhada. Porque a próxima década e as decisões que tomarmos escreverão a história do próximo século. O caminho que escolhermos determinará se o Ocidente manterá seu lugar à frente do mundo ou se resignará a um futuro de atrofia, servidão e declínio. Ou escolhemos agir agora, ou perderemos a possibilidade de agir.

Sob o presidente Trump, os Estados Unidos fizeram sua escolha. Escolhemos buscar o poder nacional sem pedir desculpas: retomar o controle de nossas cadeias de suprimentos críticas, reindustrializar nossa economia, reconstruir nossa defesa, lutar pelo domínio das tecnologias e indústrias do futuro.

Escolhemos buscar novas fronteiras: na manufatura avançada e na superinteligência; nos drones, nas armas e na guerra; nos chips, nos minerais, no espaço cibernético e em todos os outros domínios das possibilidades humanas. Liberar nossa energia, reconstruir nossas fábricas, levar nossos astronautas de volta à Lua e iniciar uma nova era de exploração espacial.

Apesar de todos os seus ideais elevados, os antigos gregos não eram ingênuos. Eles compreendiam que as nações têm interesses. Compreendiam que a condução dos assuntos de Estado exige prudência e diplomacia, mas também compreendiam que exige a capacidade de empregar a força quando a prudência e a diplomacia fracassam. Compreendiam que o poder exige não apenas ter os meios para se defender, mas também a credibilidade de que se está disposto a utilizá-los.

Essa é a compreensão clássica da política e da condução dos assuntos de Estado que o governo Trump espera recuperar - recuperar não apenas para nosso país, mas para toda a nossa civilização.

Acreditamos que a Europa pode despertar de seu longo sono e reacender o fogo que foi aceso aqui há milênios.

Já existem sinais disso.

Por todo este continente, estamos testemunhando o que esperamos que seja o início de uma mudança geracional: gastos com defesa disparando, uma série de novas parcerias e programas, expansão da manufatura e da produção, na sequência dos compromissos históricos de defesa assumidos no ano passado, em Haia.

A Grécia tem estado no centro dessa mudança. O povo desta nação demonstrou mais uma vez ser um amigo indispensável tanto para a Europa quanto para os Estados Unidos, em tudo, desde energia até migração e defesa, área na qual a Grécia tem sido uma aliada exemplar.

E é nossa mais sincera esperança que toda a Europa siga seu exemplo.

Embora as paixões possam, às vezes, ter tensionado os laços de afeto entre os Estados Unidos e a Europa, não se pode permitir que os rompam. Juntos, devemos fortalecer uma aliança capaz de enfrentar as ameaças de nossa época.

E podemos fazer isso. Porque não acreditamos que a amizade transatlântica deva ser um jogo de soma zero. Muito pelo contrário: nossa visão é a de uma aliança cuja força seja maior do que a soma de suas partes. É uma visão que vimos em ação no mês passado, em um novo acordo sem precedentes entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia — um acordo que remodelará o Ártico e reforçará a segurança de toda a Otan. Os três parceiros desse acordo saíram vitoriosos. Toda a Europa - e a Otan e os Estados Unidos - tornou-se mais segura, mais forte e mais protegida por causa dele.

Queremos vencer juntos. Precisamos vencer juntos.

Hoje, tornou-se moda acreditar que uma política externa esclarecida significa priorizar a comunidade global em detrimento do próprio povo. E penso que, também aqui, temos muito a aprender com os homens da Grécia Antiga, porque eles sabiam que não havia nada de egoísta ou errado na lealdade à própria nação, nem nada de egoísta ou errado em lutar para defender seus interesses acima de todos os outros.

Eles acreditavam - intensamente - no ideal do grande homem: o indivíduo excepcional que alcança a imortalidade por meio de seus próprios feitos. Mas acreditavam que a glória e a fama eram conquistadas pelo esforço, pelo sacrifício e pela realização de grandes feitos em nome de algo maior do que si mesmo. O herói recorrente do mundo grego antigo era o homem disposto a pagar qualquer preço por uma causa digna de sua lealdade.

Vemos isso em Sócrates, que se recusou a abandonar a busca pela verdade mesmo ao custo da própria vida. Vemos isso na lendária resistência dos 300 espartanos — cercados e em enorme desvantagem numérica diante dos vastos exércitos da Pérsia —, que recusaram a oportunidade de salvar a si mesmos, escolhendo lutar até o último homem em vez de abandonar seu posto ou seu dever. E vemos isso no mito épico de Aquiles, a quem é oferecida a escolha de voltar para casa e viver uma vida longa e pacífica — mas que escolhe permanecer em Troia e morrer em busca da glória eterna.

Essas são as qualidades que moldariam o imaginário moral ocidental. Do mártir cristão que se recusou a trair sua fé ao patriota que deu a vida por seu país; de São Tomás More à Batalha do Álamo, passando pelas imortais palavras finais da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que dizem: “Comprometemos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra”.

É dos gregos que o Ocidente herdou seu senso de dever - uma lealdade inquebrável ao próprio código, à própria causa, ao próprio país. Nossos heróis, os heróis do Ocidente, são aqueles que escolhem permanecer fiéis ao seu dever precisamente quando é mais difícil e doloroso fazê-lo: o homem que honra sua palavra, o soldado que não abandona seu posto, o capitão, o proverbial capitão, que afunda com seu navio.

Isso é completamente diferente do que vemos, ainda hoje, por exemplo, entre fanáticos como os mulás radicais do Irã, cujo culto à morte exalta crianças-bomba suicidas como heróis nacionais e apresenta o martírio como um fim em si mesmo.

Nossos heróis podem estar dispostos a morrer por sua causa; mas nossos heróis não veneram a morte. É porque valorizamos a vida que reconhecemos o heroísmo daqueles que preferem sacrificá-la a trair seus princípios. Nós consideramos naturais essas concepções ocidentais - heroísmo, honra, dever. Presumimos que, de alguma forma, elas sejam universais para todos os povos, em todos os tempos e lugares. Não são. São produto de um caráter distinto, um caráter que surgiu aqui e moldou toda a história da civilização que veio depois. Uma civilização que devemos lutar para defender hoje com a mesma paixão com que nossos antepassados o fizeram.

Os homens que construíram o Partenon foram sucedidos pelos arquitetos da cristandade europeia, que ergueram as catedrais de Milão, Colônia e Florença. A busca pela perfeição da forma humana que movia os antigos escultores gregos encontrou uma nova expressão em Michelangelo. A busca dos filósofos gregos pela estrutura do universo foi herdada por Copérnico, depois por Galileu, depois por Kepler e por Newton.

A fome de novos conhecimentos foi o que deu origem à primeira expedição de Magalhães ao redor do mundo, à descoberta das Américas por Colombo e, por fim, à viagem da Apollo 11 à Lua. E as qualidades que levaram Alexandre a conquistar todo o mundo conhecido reapareceram em César, depois em Carlos Magno e em Cortés.

E, na América, essa mesma tradição se redescobriu de uma nova maneira. Uma terra aberta e selvagem tornou-se o cenário de um grande renascimento da imaginação e da ambição ocidentais. A aspiração grega por novos horizontes tornou-se o espírito americano de fronteira. A civilização de Atenas e Roma transformou uma jovem república costeira em um império continental.

Os maiores americanos de todas as gerações carregaram os traços inconfundíveis de seus antepassados - nascidos em Atenas, formados por Roma, batizados na cristandade, forjados na fornalha da Europa medieval, dotados do gênio inglês para a liberdade e, então, levados através do Atlântico para renascer nas costas de um novo mundo.

Juntos, devemos agora redescobrir esse espírito. Estamos em um ponto de inflexão - um ponto de inflexão não apenas na história de minha nação, mas na história de toda a nossa civilização.

As ameaças que enfrentamos hoje são tão reais quanto eram no cenário dramático da Antiguidade.

Os interesses nacionais não desapareceram diante das instituições internacionais. A guerra não desapareceu simplesmente porque preferíamos a paz. Outros Estados continuaram a se armar, a buscar influência, a competir por território, tecnologia, recursos, mercados, energia e poder.

E agora há guerra novamente. Há uma nova competição entre grandes potências novamente. Há vulnerabilidade, agressão, terrorismo, todo um universo de novas ameaças e ataques novamente.

E, por isso, devemos reconstruir nossas instituições e nossas alianças para enfrentar essas ameaças juntos - compreendendo que o propósito dessas instituições não é abolir a soberania das nações que as constituem; é defendê-las. E que as nações não precisam abandonar suas identidades distintas para reconhecer seus interesses comuns.

Construímos um modelo disso com nossos parceiros aqui na Grécia. Em nossas parcerias de defesa, em energia e tecnologia, em nossa ambição compartilhada de proteger as fronteiras da Europa contra as ameaças da migração em massa.

Nossa amizade remonta aos primeiros anos de minha nação. Quando a Grécia se levantou, em 1821, para recuperar sua independência após séculos de domínio otomano, os americanos reconheceram algo familiar naquela luta. Três anos depois, o grande estadista americano Daniel Webster fez um famoso pronunciamento ao Congresso, ajudando a levar a causa da Revolução Grega aos representantes da jovem República americana.

E ele começou chamando a atenção deles para tudo o que havia ao redor. Foi isto que ele disse em seu discurso: “Esta forma livre de governo, esta assembleia popular... esta prática do debate livre e da discussão pública, do confronto de uma mente com outra... até mesmo o edifício em que nos reunimos, estas colunas proporcionais, esta arquitetura ornamentada, tudo nos lembra que a Grécia existiu e que nós, como o restante da humanidade, somos profundamente seus devedores”.

Essas palavras são tão verdadeiras hoje quanto eram quando ele as pronunciou. E todos nós - não apenas os americanos, mas os europeus e nossos amigos em todo o Ocidente - devemos reaprender as lições que nossos antepassados tiraram deste lugar e de sua história.

A história da Grécia não nos oferece apenas um vislumbre de nossas instituições em suas formas mais antigas. A história da Grécia nos mostra uma imagem de nós mesmos.

Ela nos mostra que somos herdeiros de grandes heróis e que devemos sentir orgulho - que devemos sentir um orgulho intenso - de onde viemos. Devemos nos maravilhar com aquilo que nossos antepassados construíram nesta terra. A história de nossa civilização é a maior história já conhecida pelo homem. E ela começou aqui, com os primeiros homens e mulheres do Ocidente. Deles podemos redescobrir as virtudes, a coragem e a força para enfrentar os perigos que encontramos em nosso tempo.

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