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John Ratcliffe

O que se sabe sobre a visita “secreta” do chefe da CIA à Rússia

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O chefe da CIA, John Ratcliffe, visitou a Rússia nesta semana. Motivo não foi oficialmente revelado. (Foto: JIM LO SCALZO/EFE/EPA)

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A visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou foi confirmada nesta quarta-feira (26) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. A viagem, realizada na terça-feira (25), não havia sido anunciada previamente por Washington e marcou o primeiro deslocamento conhecido de um chefe da agência de inteligência americana à Rússia desde 2021.

Trump confirmou que enviou Ratcliffe a Moscou, mas evitou revelar detalhes sobre a agenda do diretor da CIA ou com quem ele se reuniu na Rússia. Em entrevista a uma emissora de rádio dos EUA, o presidente classificou a viagem como “semi-rotineira” e afirmou que esperava que a missão pudesse “produzir algum resultado”. Na mesma entrevista, Trump relacionou a movimentação aos esforços de Washington para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Algo pode sair disso. Estamos trabalhando muito para acabar com essa guerra”, declarou.

Por sua vez, Peskov afirmou que o chefe da CIA manteve contatos por meio dos canais dos serviços de inteligência, mas não se reuniu com o ditador Vladimir Putin. Segundo o porta-voz, Putin foi informado posteriormente sobre os resultados das conversas.

Apesar da descrição cautelosa feita por Trump, o jornal americano Wall Street Journal informou que a missão teve um objetivo mais específico. Segundo fontes consultadas pelo jornal, Ratcliffe viajou a Moscou para advertir a Rússia a não atacar países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). De acordo com o jornal, a advertência ocorreu após novas avaliações da inteligência americana apontarem que Putin poderia tentar testar a capacidade de reação da Otan com uma ação militar limitada contra um de seus membros nos próximos anos. Entre os cenários considerados estariam desde um ataque cibernético até uma incursão terrestre de pequena escala, possivelmente contra um país báltico.

A visita ocorreu em um momento de aumento das tensões entre Rússia e países da Otan. Nos últimos meses, autoridades ocidentais vêm demonstrando preocupação com a possibilidade de Moscou ampliar sua pressão militar sobre integrantes da aliança enquanto a guerra na Ucrânia continua sem perspectiva imediata de encerramento.

Segundo o jornal Kyiv Independent, os Estados Unidos teriam pedido ao governo ucraniano que evitasse ataques contra Moscou e São Petersburgo durante a permanência de Ratcliffe na Rússia. Kiev teria concordado em suspender ataques contra as duas cidades entre os dias 24 e 26 de agosto. Ainda de acordo com a publicação, autoridades ucranianas sabiam que uma delegação americana viajaria à Rússia, mas inicialmente não haviam sido informadas de que o diretor da CIA faria parte da missão. Uma autoridade dos Estados Unidos confirmou, segundo o jornal, que Ratcliffe tinha reuniões previstas com altos funcionários russos, embora a pauta não tenha sido divulgada.

Reportagens da imprensa americana mencionaram ainda a possibilidade da visita ter servido para discussões sobre o apoio da Rússia ao Irã e até a situação de americanos presos em território russo. Nenhum desses temas, porém, foi confirmado oficialmente como parte da agenda da visita.

Ratcliffe é o primeiro diretor da CIA a realizar uma visita conhecida a Moscou desde novembro de 2021. Na ocasião, seu antecessor, William Burns, esteve na Rússia para advertir Putin sobre as consequências de uma eventual invasão da Ucrânia. Poucos meses depois, em fevereiro de 2022, forças russas iniciaram a invasão em larga escala do território ucraniano.

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