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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em encontro com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, em São Petersburgo, Rússia, 18 de julho de 2019
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em encontro com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, em São Petersburgo, Rússia, 18 de julho de 2019| Foto: Mikhail KLIMENTYEV / SPUTNIK / AFP

Alexander Lukashenko, o homem forte de Belarus, completa 25 anos no poder neste sábado (20). Conhecido como "o último ditador da Europa", Lukashenko subiu ao poder ao ser eleito presidente em julho de 1994, apenas três anos depois da conquista da independência pela ex-república soviética.

Um líder autoritário, Lukashenko conduz Belarus como uma "mini União Soviética" - com fortes laços com a Rússia e grandes subsídios para os setores industrial e agrícola do país. O histórico de violações aos direitos humanos e a intolerância com dissidentes no país são condenados pela União Europeia, que no passado impôs sanções contra o presidente e seu círculo.

Há alguns anos, no entanto, o país tem se aproximado do Ocidente. Quando o presidente russo Vladimir Putin anexou a Crimeia em 2014, Belarus tomou uma posição neutra no conflito e sediou negociações entre Rússia e Ucrânia em sua capital, Minsk, e começou a sair do ostracismo.

Após a libertação de presos políticos, a União Europeia finalmente decidiu, em 2016, suspender as sanções econômicas impostas ao país, incluindo as contra Lukashenko. Mesmo assim, um relatório da enviada especial da ONU a Belarus não considera o país uma democracia genuína, já que ainda promove violações de direitos humanos.

As sanções europeias foram suspensas após a eleição presidencial de 2015 ter ocorrido sem a repressão violenta a opositores que havia acontecido na eleição anterior. Lukashenko foi eleito em outubro de 2015 para o seu quinto mandato com uma enorme vantagem sobre o segundo lugar. Ele teve 83,5% dos votos, enquanto a sua rival, Tatiana Korotkevich teve apenas 4,4% - um resultado questionado por observadores independentes.

Para manter o seu poder, Lukashenko conta com a polícia secreta do país, que ainda mantém o nome do seu antecessor da era soviética: KGB. "Ele usou referendos para mudar leis e a Constituição, com o fim de deter mais poderes e poder ser reeleito infinitamente. O Parlamento foi privado de poderes, a oposição liberal foi marginalizada e a mídia, censurada. Alguns políticos da oposição desapareceram sem deixar vestígios, protestos foram reprimidos", resumiu o jornalista Roman Goncharenko para a Deutsche Welle.

Acredita-se que Alexander Lukashenko esteja preparando o seu filho mais novo para ser o seu sucessor. Kolya Lukashenko tem hoje 14 anos e é visto com o pai em eventos oficiais desde que tinha quatro anos. O menino acompanhou o pai em uma visita a Hugo Chávez na Venezuela quando tinha 8 anos. Em 2015, pai e filho visitaram o então presidente dos EUA Barack Obama e foram juntos à Assembleia Geral da ONU. Kolya já assistiu a um grande desfile militar na China ao lado de líderes como Vladimir Putin e Xi Jinping.

Comentários controversos

A trajetória política de Lukashenko é marcada por frases controversas. Em um entrevista para a televisão russa em 1995, ele elogiou o nazismo: "A Alemanha se ergueu das ruínas graças a uma firme autoridade, e nem tudo relacionado à figura bem conhecida de Adolf Hitler era ruim. A ordem alemã evoluiu através dos séculos e sob Hitler atingiu o seu auge".

Em 2007, foi acusado de antissemitismo por Israel após ter dito que os judeus "não se importam" com os lugares onde vivem.

Em 2012, quando o então ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, que era abertamente gay, condenou os abusos aos direitos humanos e descreveu Lukashenko como um ditador, a resposta foi: "É melhor ser um ditador do que ser gay".

Quando um repórter de um jornal de Londres perguntou em 2003 por que ele insistia em ficar tanto tempo no poder, Lukashenko respondeu "eu sei que a rainha da Inglaterra está no poder por muito mais do que oito anos".

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