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Pensilvânia - O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, alertou nesta segunda-feira (22) que o pacote de resgate a Wall Street doará poderes para gastar uma soma de dinheiro nunca vista antes a apenas um funcionário público, que ao mesmo tempo terá pouca ou nenhuma responsabilidade sobre os resultados. Ele se referia ao secretário do Tesouro, Henry Paulson. O candidato democrata, Barack Obama, deverá fazer mais tarde nesta segunda-feira um discurso contra a "cobiça e os excessos de Washington". Obama já criticou aspectos do pacote no domingo, ao dizer que ele não pode ser "um cheque em branco" ao sistema financeiro. Obama também definiu o pacote de Bush de US$ 700 bilhões como "assombroso".

Enquanto os candidatos discorriam sobre a crise, o presidente dos EUA, George W. Bush, instava o Congresso a aprovar com rapidez o pacote de US$ 700 bilhões ao sistema financeiro. Na noite de hoje, líderes dos dois partidos no Congresso e a administração Bush haviam chegado a um consenso sobre alguns pontos do pacote, mas não sobre o plano inteiro.

McCain se disse "profundamente incomodado" com a falta de visão do plano da administração do presidente Bush para resgatar os bancos e empresas financeiras que foram a pique, ou quase, na semana passada.

Na realidade, os dois candidatos duelam sobre o tema da crise do mercado financeiro, às vésperas do primeiro debate presidencial, que acontecerá nesta sexta-feira, dia 29.

"Eu estou muito preocupado com o plano, que dará a apenas um indivíduo o poder sem precedentes para gastar US$ 1 trilhão, sem qualquer responsabilidade compreensível", disse McCain na Pensilvânia, um dos estados mais disputados para as eleições de 4 de novembro.

"Nunca antes na história desse país tanto poder e dinheiro foi concentrado nas mãos de uma só pessoa", disse o senador pelo Arizona, embora tenha prestado respeito pelo secretário do Tesouro Henry Paulson, que é a pessoa em questão.

"Todo esse arranjo me deixa muito incomodado. Quando nós falamos de trilhões de dólares dos contribuintes, dizer apenas 'confie em mim' não é o suficiente", disse McCain.

McCain pediu a formação de um comitê de monitoramento do pacote, que seria formado por figuras respeitadas no mundo empresarial, como o investidor bilionário Warren Buffett; seu ex-opositor na disputa durante as primárias republicanas, Mitt Romney, que ajudou a fundar a corretora Bain Capital; e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

Detalhes do pacote, afirmou McCain, deveriam ser transparentes e tornados disponíveis a qualquer americano na internet. O candidato fez as declarações na cidade de Scranton, na Pensilvânia, durante o "Fórum presidencial irlandês-americano". McCain também alertou contra benefícios generosos para executivos de empresas que caíram em desgraça em Wall Street, ao dizer que nenhum deles deveria receber salários maiores que os principais funcionários do governo.

O pacote permitirá ao Tesouro dos EUA vender novas dívidas para comprar grande quantidade de dívidas podres e outros ativos que golpearam e pararam o sistema financeiro.

Obama, nesta segunda-feira, está no Wisconsin, outro estado que será decisivo nas eleições. Ele deverá anunciar um plano para reduzir a influência dos lobistas sobre o governo americano, reformar o sistema de contratos de obras públicas e modernizar a regulamentação do mercado financeiro.

Em postura semelhante à do secretário do Tesouro, Henry Paulson, Obama disse que os parceiros comerciais dos EUA devem ajudar a suportar o peso da "crise global". Em entrevista à CBS, o democrata afirmou que McCain demorou a pedir mais regulação sobre o mercado financeiro.

O aprofundamento da crise aparentemente ajudou o candidato democrata na corrida presidencial. Se após as convenções partidárias os dois apareciam empatados, Obama ostenta agora uma pequena margem de vantagem nas últimas pesquisas, ainda que a disputa siga bastante equilibrada.

O presidente Bush tentou assegurar nesta segunda-feira os líderes mundiais que o governo americano está tomando "ações agressivas e decisivas" para resgatar o sistema financeiro com o pacote de US$ 700 bilhões. "O mundo inteiro observa se nós poderemos agir com rapidez", disse Bush, incitando o Congresso a acelerar a aprovação do pacote. O presidente americano receberá vários presidentes e primeiros-ministros estrangeiros a partir de amanhã, para a Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York. As reuniões deverão durar três dias e as atividades foram abertas com uma recepção de Bush e da primeira-dama, Laura Bush, às delegações estrangeiras no hotel Waldorf-Astoria, no centro de Manhattan.

Congresso

Enquanto isso, em Washington, os parlamentares democratas norte-americanos queriam acrescentar cláusulas ao pacote de ajuda de US$ 700 bilhões anunciado no final de semana pelo Departamento do Tesouro, como limites às compensações para os executivos e uma cláusula que permitirá que o governo tome ações de qualquer instituição financeira que aderir ao programa.

De acordo com o Wall Street Journal, o presidente do comitê bancário do Senado, Christopher Dodd, começou a fazer circular entre os congressistas seu projeto de 44 páginas na noite de ontem, que deverá ser um problema para o governo de Bush. O governo quer evitar que os parlamentares incluam grandes mudanças, para que estas não atrasem a aprovação do pacote.

O plano de Dodd não permitiria que o Departamento do Tesouro compre qualquer ativo a menos que receba em troca ações contingentes da instituição financeira com valor equivalente aos ativos que estão sendo comprados. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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