
Em uma das eleições mais disputadas da história dos Estados Unidos, os dois candidatos a presidente, o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney, chegam à reta final da disputa empatados nas pesquisas eleitorais e com o furacão Sandy podendo mudar os rumos da corrida presidencial.
O presidente Obama se apressou em mostrar apoio às vitimas do furacão e foi conferir pessoalmente a devastação causada em alguns estados, como Nova Jersey. Nessa iniciativa, passou o dia com um grande crítico republicano de sua administração, o governador Chris Christie.
Mitt Romney iniciou uma campanha para arrecadar fundos para as vítimas da tempestade, não só nos EUA, mas também no Caribe, onde Sandy matou mais de 60 pessoas.
"O resultado da eleição se torna ainda mais complicado", avalia o estrategista-chefe do HSBC, Lawrence Dyer, sobre os efeitos do furacão na campanha. Obama, como presidente dos EUA, pode se beneficiar e ganhar votos dos indecisos na medida em que souber usar a situação a seu favor.
De acordo com uma pesquisa encomendada pelo jornal Washington Post e pela emissora de televisão ABC, os eleitores norte-americanos aprovaram a atuação de Obama durante a crise humanitária causada pela passagem da supertempestade Sandy.
Oito entre cada dez prováveis eleitores afirmaram que o trabalho do presidente foi "bom" ou "excelente". Até mesmo dois terços dos simpatizantes do republicano Mitt Romney afirmaram que o democrata saiu-se bem.
Alguns eleitores ganharam peso extra nessa campanha. Entre eles estão mulheres e latinos. As eleitoras norte-americanas se tornaram um dos temas principais a partir do segundo debate, assistido por 60 milhões de americanos no dia 16 de outubro.
Obama acusou Romney de ser contra interesses femininos, como equiparação salarial e o acesso gratuito a anticoncepcionais. O republicano se apressou em desmentir e afirmou que, quando foi governador do estado de Massachusetts, defendeu as mulheres e seus interesses.
Já a comunidade hispânica, que representa cerca de 20% do total de eleitores nos EUA, virou nos últimos dias o maior alvo da campanha em três estados com grande número de indecisos Flórida, Colorado e Nevada. Obama foi mais radical que seu rival e fez até uma propaganda falando inteiramente em espanhol.
Política externa dos EUA terá a China no centro das atenções
Agência Estado
Analistas em política externa ouvidos pela Agência Estado indicam que a China e não o Oriente Médio estará no centro da política externa americana a partir de janeiro de 2013, não importa quem vença a eleição.
Essa mudança de prioridades decorre de uma série de fatores: o eixo da economia mundial mudou do Atlântico para o Pacífico; EUA e a China desenvolveram uma dependência econômica crucial entre si; e o desgaste dos intratáveis conflitos no Oriente Médio fará Washington acelerar suas compras de energia e matérias-primas na América Latina.
A China tornou-se, recentemente, a segunda maior economia do mundo, com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 7,3 trilhões. A economia dos EUA é a maior, com um PIB de cerca de US$ 15 trilhões. "O maior desafio para os Estados Unidos será costurar uma abordagem à China que crie incentivos para a cooperação e não para o confronto", diz o analista em geopolítica Willis Sparks, do Eurasia Group.
A China ocupa o posto de maior detentor global de títulos do governo americano, com mais de US$ 1,5 trilhão das suas reservas internacionais investidos em Treasuries. Esse investimento permite que o governo dos EUA mantenha a rolagem da sua enorme dívida pública, ao redor de US$ 16 trilhões.
O professor de Relações Internacionais na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Rodrigo Cintra, deixa claro o que paira sobre essa relação econômica: a China está sugando o déficit do governo americano. "Se os EUA quiserem quebrar a China, eles quebram junto. Isso não acontecerá", resume.
"O programa de governo dos republicanos, é preciso lembrar, é muito agressivo, parece coisa da Guerra Fria", diz a analista Cristina Pecequilo, da Universidade Federal Paulista (Unifesp).







