
Apesar da oposição da China, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniu-se ontem com o líder tibetano dalai-lama por mais de uma hora na Casa Branca. Os dois prêmios Nobel da Paz discutiram a necessidade de promover a paz mundial, valores humanitários e harmonia religiosa, disse o dalai-lama na saída do encontro.
Todo o encontro foi conduzido de forma discreta. Para não melindrar ainda mais os chineses, a Casa Branca lançou mão de vários protocolos diplomáticos. O dalai-lama não foi recebido como chefe de Estado, mas sim como líder religioso e porta-voz dos tibetanos. Por isso, ele foi recebido na Sala dos Mapas e não no Salão Oval, uma honra reservada a chefes de Estado. E o encontro foi em grupo, não bilateral.
Apesar dos cuidados, as autoridades chinesas demonstraram irritação com o encontro. Pequim considera o dalai-lama um separatista que busca a independência do Tibete. O líder tibetano afirma querer apenas mais autonomia para a região. Ele vive no exílio desde 1959.
Manifestantes receberam a comitiva do dalai-lama na Praça Lafayette, em frente à Casa Branca, com bandeiras do Tibete e dos EUA e cantos para celebrar o líder espiritual.
Após o encontro, o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, divulgou um comunicado afirmando que Obama reiterou seu apoio à preservação dos valores religiosos e culturais do povo tibetano, e à proteção dos direitos humanos dos tibetanos dentro da China.
No encontro, Obama elogiou a abordagem de "caminho do meio" adotada pelo dalai-lama, que prega maior autonomia do povo tibetano, mas sem a independência. Seria uma forma de preservar os interesses chineses, de segurança e integridade territorial, e os interesses tibetanos, de proteção e preservação de sua cultura, religião e identidade nacional.
Reação
A China manifestou "forte insatisfação" com o encontro e disse esperar providências de Washington para recolocar a relação bilateral nos eixos. Ma Zhaouxu, porta-voz da chancelaria chinesa, disse em nota que o evento na Casa Branca "violou a repetida aceitação por parte do governo dos Estados Unidos de que o Tibete é parte da China e de que (os EUA) não apoiam a independência tibetana".
O encontro dele com Obama se soma a uma longa lista de atritos recentes entre Washington e Pequim, que inclui também questões relativas a censura na internet, política cambial chinesa e venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan.







