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Diplomacia

Obama propõe a islâmicos o fim da “desconfiança”

Em discurso histórico, o presidente dos Estados Unidos saúda plateia em árabe e cita o “Corão sagrado"

Obama caminha próximo à Esfinge, no Egito: tour turístico e discurso em busca de aproximação ao mundo árabe | Larry Downing/Reuters
Obama caminha próximo à Esfinge, no Egito: tour turístico e discurso em busca de aproximação ao mundo árabe (Foto: Larry Downing/Reuters)
Confira que Obama listou temas-chave a serem enfrentados |

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Confira que Obama listou temas-chave a serem enfrentados

Cairo - Num discurso histórico em que citou várias vezes o Corão, o presidente Barack Obama apresentou ontem propostas para selar um "novo começo’’ nas relações entre os EUA e o mundo muçulmano. Obama defendeu pôr fim à "desconfiança mútua’’ como forma de pacificar o Oriente Médio.

Discursando na Universidade do Cairo, Egito, Obama saudou a plateia com o tradicional salam alekum (em árabe, a paz de Alá esteja convosco) e rompeu vários tabus na tentativa de conquistar o 1,5 bilhão de muçulmanos mundo afora, alvo da fala endereçada ao vivo por rádios e tevês por satélite.

"Este ciclo de desconfiança e discórdia precisa acabar’’, disse Obama diante das cerca de 3 mil pessoas no auditório da universidade. A fala, que durou 55 minutos, foi interrompida várias vezes por aplausos e até por um grito de "eu te amo’’.

"Vim até aqui em busca de um recomeço entre os EUA e os muçulmanos, que seja baseado em interesse e respeito mútuos e na (idéia) de que os EUA e o islã não são excludentes’’, afirmou o presidente, que prometeu combater "os estereótipos negativos do isl㒒.

Obama levantou bandeiras caras a todos os muçulmanos. Ele defendeu o direito de existência da "Palestina’’, criticou o expansionismo israelense e o passado colonialista do Ocidente, reconheceu o direito de todas as nações, "incluindo o Ir㒒, de ter um programa nuclear civil e citou várias passagens do "Corão sagrado’’ que exaltam a paz e a tolerância.

Num claro esforço para romper com a retórica incendiária e confrontativa de seu antecessor George W. Bush, Obama destacou os vínculos históricos entre os americanos e o islã.

O democrata lembrou que o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer os EUA e afirmou que a maioria dos 7 milhões de muçulmanos norte-americanos têm educação e renda maior que a média da população.

O discurso do Cairo foi considerado um marco pelo fato de Obama ter destacado pela primeira vez seu sobrenome "Hussein’’ (em árabe, o bom) e detalhado claramente os laços de sua família com o islã.

"Sou cristão, mas meu pai vem de uma família queniana que inclui gerações de muçulmanos’’, disse Obama, que enumerou algumas das contribuições islâmicas à modernidade, como a invenção da álgebra e da bússola magnética.

Em outro divisor de águas, o democrata tornou-se o primeiro presidente americano a admitir em exercício a participação da CIA no golpe que derrubou o governo iraniano do nacionalista Mohammed Mossadegh, em 1953, em represália à sua decisão de nacionalizar a indústria petroleira do país.

Foi a primeira vez que a Casa Branca ajudou a derrubar um governo no Oriente Médio. O caso alimenta até hoje a desconfiança de Teerã em relação a Washington.

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