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Guerra contra o terrorismo

Obama quer Paquistão aliado

Presidente norte-americano afirmou ontem que pretende enviar mais tropas ao Afeganistão e que a Al-Qaeda é seu principal alvo

Barack Obama disse ontem que a Al-Qaeda estaria planejando novos ataques terroristas aos EUA, a partir da fronteira entre Paquistão e Afeganistão | Nicholas Kamm/AFP
Barack Obama disse ontem que a Al-Qaeda estaria planejando novos ataques terroristas aos EUA, a partir da fronteira entre Paquistão e Afeganistão (Foto: Nicholas Kamm/AFP)

Durante o programa dominical Face the Nation, da rede de televisão norte-americana CBS, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que se os Estados Unidos localizarem líderes da Al-Qaeda no Paquistão, só irão persegui-los após consultar as autoridades paquistanesas.

Na sexta-feira, Obama já havia dito, em uma entrevista sobre a nova estratégia do governo para o Afeganistão, que os Estados Unidos pretendem dar ao Paquistão os instrumentos necessários para derrotar a Al-Qaeda, mas esperam uma contrapartida. O presidente norte-americano pede a eliminação de todos os militantes da organização terrorista liderada por Osama bin Laden, que estaria planejando novos ataques aos Estados Unidos a partir de uma região ao longo da fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

O plano dos EUA prevê o envio de outros 4 mil combatentes para ajudar a treinar o Exército do Afeganistão, além dos 17 mil enviados ao país em agosto. Os gastos no conflito devem crescer 60% em relação aos atuais US$ 2 bilhões mensais. "O que nós queremos fazer é voltar nossa atenção à Al- Qaeda", disse Obama à rede CBS. "Nós vamos eliminar as redes, as bases deles. Nós vamos nos certificar de que eles não podem atacar os cidadãos dos Estados Unidos, o solo dos Estados Unidos, os interesses dos Estados Unidos e de nossos aliados ao redor do mundo."

Para fazer isso, afirma Obama, os Estados Unidos têm de garantir que a Al-Qaeda não tenha uma base no Afeganistão ou Paquistão a partir da qual possa organizar os ataques. Ele disse que Washington também precisa convencer os cidadãos paquistaneses de que a luta contra extremistas não é apenas uma guerra dos Estados Unidos. "O que nós queremos fazer é dizer para o povo paquistanês: ‘Vocês são nossos amigos, vocês são nossos aliados. Nós vamos dar a vocês os instrumentos para derrotar a Al- Qaeda e eliminar esses redutos seguros, mas nós também esperamos uma contrapartida’". O presidente também afirmou que os Estados Unidos vão perseguir os chamados alvos de "alto valor" no Paquistão após consultar as autoridades do país, mas o principal ponto de sua política é ajudar o Paquistão a derrotar o extremismo.

"Nosso plano não muda o reconhecimento do Paquistão como um governo soberano", disse Obama. "Nós precisamos trabalhar com eles e por meio deles para lidar com a Al-Qaeda. Mas nós temos de torná-los muito mais responsáveis." O presidente disse que situação no Afeganistão vem se deteriorando nos últimos anos. "A não ser que nós administremos esse quadro agora, nós vamos enfrentar mais problemas no futuro."

Com o Paquistão promovido a nova prioridade de Washington, o secretário de Defesa, Robert Gates, pediu ao serviço de inteligência (CIA) que cortasse seus contatos com os extremistas do Afeganistão, referindo-se a eles como "uma ameaça à existência" do próprio Paquistão. O serviço de inteligência paquistanês manteve vínculos com extremistas "durante muito tempo, como uma prevenção contra o que pudesse acontecer no Afeganistão, se nós formos embora ou algo do tipo", disse ontem o secretário à rede de televisão Fox News.

Iraque

Quanto à presença militar no Iraque, Obama garantiu que manterá o calendário já previsto. "Acho que o plano que estipulamos para o Iraque é o certo, constituído por uma retirada gradual através das eleições no Iraque", declarou Obama à CBS.

"Ainda resta trabalho a ser feito no campo político, além de resolver diferenças entre os vários grupos sectários e assuntos como o petróleo e as eleições provinciais". "Tenho confiança de que estamos no caminho certo. Mas o Iraque ainda não terminou. Ainda temos muito trabalho a fazer", insistiu o presidente.

"Ainda é preciso treinar as forças iraquianas para melhorar sua capacidade militar. Tenho certeza, no entanto, de que estamos andando na direção correta", insistiu.

Obama ordenou o fim das operações de combate americanas no Iraque até 31 de agosto de 2010, mas disse que 50 mil soldados permanecerão no país para uma nova missão até o fim de 2011.

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