Um osso de frango deu uma importante primeira evidência de que os polinésios chegaram à América do Sul antes de Cristóvão Colombo desembarcar nas Antilhas, informaram cientistas neozelandeses nesta quarta-feira.
Exames genéticos feitos num osso da pata de um frango encontrado na região centro-sul do Chile mostraram que a ave era originária da Polinésia e que viveu há 600 ou 700 anos, muito antes de os europeus chegaram à América no fim do século XV.
O estudo feito por antropólogos da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e por cientistas chilenos traz evidências sobre algo que os pesquisadores suspeitavam há tempos, explicou a doutora Lisa Matisoo-Smith, integrante da equipe de antropólogos que participou da pesquisa.
Há dois mil anos, os povos da Polinésia navegaram pelo Oceano Pacífico e há 800 ou mil anos, estabeleceram colônias no Havaí e na Ilha de Páscoa.
Os cientistas neozelandeses coletaram ossos de frango em toda a bacia do Pacífico e descobriram uma seqüência de DNA diferente que demonstrou ser a chave para estabelecer o vínculo com a América do Sul.
Cientistas chilenos que investigavam assentamentos pré-colombianos na região de Arauco (600 km ao sul de Santiago), encontraram ossos de frango, cuja amostra de DNA demonstrou ser idêntica à seqüência polinésia.
"A seqüência de DNA era idêntica à obtida de um osso de frango de 2.000 anos de antiguidade de Tonga", disse Matisoo-Smith.
O vínculo genético com a Polinésia pode ser encontrado atualmente na América do Sul na raça de galinhas Araucana.
A doutora Matisoo-Smith disse que os polinésios levaram os frangos para a América do Sul há 600 ou 700 anos, levando em conta a época dos assentamentos no Havaí e na Ilha de Páscoa, os mais próximos da América.
As batatas doces e as abóboras, usadas durante séculos na Polinésia, têm origem na América do Sul.
Os cientistas também destacaram a semelhança existente em algumas palavras usadas pelos polinésios e por algumas tribos americanas.
Mas não estava claro em que sentido se deu o vínculo apontado por tais indícios: de ida e volta da Polinésia ou por navegadores pré-históricos que partiram da América do Sul.
Em 1947, o norueguês Thor Heyerdhal navegou do Peru até a Polinésia a bordo de uma balsa, a "Kontiki", tentando demonstrar que a América do Sul foi o ponto de partida das migrações pelo Pacífico.
A descoberta dos ossos de frango demonstra que houve viagens de ida e volta, o que é impossível a bordo de balsas incapazes de navegar de volta à América do Sul contra ventos dominantes.
Ao contrário, as canoas de alto-mar polinésias eram capazes de navegar contra os ventos dominantes, destacou a doutora Marisso-Smith.
No entanto, não há vestígios de que os polinésios tenham se estabelecido na América do Sul.
Os resultados do estudo devem ser publicados nos Estados Unidos nos Anaia Academia Nacional de Ciências.



