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O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse nesta quinta-feira (26) que os Estados Unidos não informaram com antecedência outros países da aliança sobre a guerra no Irã, iniciada com ataques americanos e de Israel contra o regime de Teerã em 28 de fevereiro, porque havia risco de vazamento de informações.
“Os Estados Unidos, por razões importantes, não puderam informar seus aliados sobre o que iria acontecer três semanas e meia atrás, no sábado, porque isso poderia ter levado a um vazamento ou algo semelhante”, disse o ex-premiê holandês, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas para apresentar o relatório anual da Otan de 2025.
“Esse risco [de vazamentos] sempre existe quando os EUA têm a oportunidade de eliminar líderes iranianos. Então, eu entendo perfeitamente. Não estou criticando, mas isso significa que a Europa leva tempo para chegar a um acordo, e isso acarreta um risco”, justificou.
Nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar os aliados americanos na Otan por não ajudarem Washington na guerra contra o Irã, ao dizer que “não fizeram absolutamente nada”.
Hoje, Rutte destacou que, após o anúncio do Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e Holanda de que pretendem ajudar na liberação do Estreito de Ormuz, passagem estratégica fechada quase totalmente pelo Irã nas últimas semanas, “mais de 30 países já se comprometeram a se reunir para discutir os detalhes — o quê, onde e quando — a fim de garantir que as rotas marítimas permaneçam abertas”.
“E isso responde precisamente ao pedido do presidente Trump e, de forma mais geral, à situação no Oriente Médio”, afirmou.
A posição de Rutte, de “entender perfeitamente” a falta de informações antecipadas a respeito da guerra, contrasta com a da França, cujo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Fabien Mandon, fez reclamações sobre o assunto na terça-feira (24), durante um fórum de segurança e defesa em Paris.
“Fomos surpreendidos por um aliado americano, que continua sendo um aliado, mas que está se tornando cada vez mais imprevisível e nem sequer se dá ao trabalho de nos informar quando decide lançar operações militares”, disse o comandante. “Isso tem um impacto em nossa segurança e em nossos interesses.”











