Publicidade
Crime

Padre é assassinado após denunciar roubo de medicamentos nas Montanhas Nuba

Mulher segura um cartaz durante um protesto contra a guerra civil no Sudão
Mulher segura um cartaz durante um protesto contra a guerra civil no Sudão (Foto: EFE/EPA/FILIP SINGER)

Ouça este conteúdo

A organização britânica de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW) pediu medidas concretas para reduzir as tensões no Sudão após o assassinato do padre Youhanna Al-Amin, um sacerdote que permaneceu com seu povo em meio à crescente violência nas Montanhas Nuba.

Em relatório compartilhado com a ACI África, serviço irmão da EWTN News na África, em 25 de junho, o presidente fundador da CSW, Mervyn Thomas, condenou o assassinato do padre da Paróquia de São Vicente de Kauda, na Diocese Católica de El Obeid, no Sudão, ocorrido em 19 de junho, após ele supostamente ter denunciado o roubo de medicamentos destinados à população local.

"Pedimos às autoridades da região que tomem medidas concretas para reduzir as tensões e proteger os cidadãos, e mais uma vez instamos a comunidade internacional a intensificar os esforços para pôr fim ao conflito devastador no Sudão", disse Thomas no relatório.

Al-Amin foi assassinado junto com um vigia da paróquia e outra pessoa nas Montanhas Nuba do Sudão, uma região há muito assolada por conflitos e instabilidade.

O que investigações apontam sobre o assassinato do padre

Segundo relatório de 20 de junho da Aid to the Church in Need (ACN), citando fontes locais, Al-Amin foi morto em meio ao agravamento de tensões tribais e disputas entre facções armadas que operam na área.

As fontes afirmaram que o assassinato parece ter sido um ato de retaliação depois que Al-Amin denunciou o roubo de medicamentos que a Igreja guardava para benefício dos moradores.

Kauda serve como o principal centro das áreas das Montanhas Nuba controladas pelo Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLM-N). Nos últimos meses, o agravamento da insegurança e confrontos envolvendo grupos armados e tribais forçaram alguns religiosos a deixar a região.

Al-Amin, no entanto, optou por permanecer. Segundo aqueles que o conheciam, ele se recusou a abandonar a comunidade que servia mesmo com a deterioração das condições humanitárias.

Como era a atuação do padre

Em uma região marcada pela pobreza e acesso limitado a serviços essenciais, seu ministério ia além do cuidado pastoral. A Igreja também servia como importante fonte de assistência médica e apoio a famílias vulneráveis. A notícia de sua morte causou choque na Diocese de El Obeid, onde o padre havia ministrado por quase três décadas.

Em mensagem de condolências compartilhada com a ACN, a Paróquia de São Pedro de Babnusa, da Diocese de El Obeid, recordou os longos anos de serviço do padre, observando que ele ministrou na paróquia de 1997 até 2021.

A paróquia, localizada na província de Kordofan Ocidental do Sudão, descreveu uma trajetória que começou quando Al-Amin chegou como seminarista antes de servir como diácono e, eventualmente, como pároco.

"Ele era amigo dos jovens e das crianças, e amou seu trabalho até o fim", disse a paróquia em sua homenagem. Segundo o relatório da CSW, as tensões eclodiram em Kauda há aproximadamente três meses, quando o SPLM-N, que é a autoridade governante na cidade, demarcou terras entre as tribos Otoro e Shawaya, levando alguns membros da primeira a atacar vilarejos Shawaya.

O relatório afirma que os ataques se estenderam desde então à tribo Kawaleeb, à qual pertence o comandante do SPLM-N, Izzat Koko, e fontes da CSW especulam que este pode ter sido o motivo do assassinato de Al-Amin, já que tanto a tribo Otoro quanto a Kawaleeb são predominantemente cristãs.

O relatório da CSW revelou que também pode haver um motivo econômico decorrente da escassez de alimentos e medicamentos entre os combatentes Otoro.

Como é o conflito no Sudão

Igrejas têm sido amplamente usadas como abrigos ao longo do conflito no Sudão, particularmente nas Montanhas Nuba, de onde se origina a maioria dos cristãos sudaneses.

Ataques a locais de culto e líderes religiosos também foram amplamente documentados ao longo do conflito, e tanto as Forças de Apoio Rápido quanto as Forças Armadas Sudanesas usaram locais de culto para fins militares.

"Ataques a locais de culto devem sempre ser condenados, mas são particularmente preocupantes em uma região conhecida pela coexistência pacífica entre comunidades religiosas e étnicas", disse Thomas no relatório.

Esta história foi publicada pela primeira vez pela ACI África, serviço irmão da EWTN News na África, e foi adaptada pela EWTN News.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: After Catholic priest’s murder, human rights group urges Sudan to address tensions https://www.ewtnnews.com/world/africa/after-catholic-priest-s-murder-human-rights-group-urges-sudan-to-address-tensions

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.