
Países europeus intensificaram as negociações para receber detentos da prisão americana de Guantánamo, em Cuba, num gesto de boa vontade com o governo do presidente eleito Barack Obama, informou nesta terça-feira (23) o jornal "Washington Post". Este seria o principal entrave ao fechamento da prisão, prometido por Obama ao longo de sua campanha e em entrevistas após sua eleição, chegando a sugerir que colocaria o plano em prática em dois anos. Ao longo dos oito anos de governo de George W. Bush, repetidos pedidos dos EUA para que os europeus recebessem prisioneiros que não podem voltar para seus países de origem foram negados.
Citando importantes fontes da Europa e diplomatas dos Estados Unidos, o jornal disse que autoridades européias apresentaram o plano à equipe de Obama. Os conselheiros do próximo presidente americano disseram, entretanto, que só poderão discutir a questão depois da posse, no dia 20 de janeiro.
Guantánamo tem cerca de 250 detentos, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, acusado de comandar os ataques de 11 de setembro de 2001. A prisão ficou marcada pelas práticas agressivas de interrogatório que renderam alegações de que os EUAusam tortura na prisão, destinada a acusados de terrorismo. Além disso, os americanos são acusados de desrespeitar os direitos humanos por manter os suspeitos presos sem terem sido formalmente acusados.
Pelo menos 12 países estariam negociando a questão, mas somente a Alemanha e Portugal disseram publicamente que estão dispostos a receber os detentos, segundo o jornal. Segundo o coordenador de cooperação Alemã-Americana no Ministério de Relações Exteriores alemão, Karsten Voigt, a administração Bush "produziu o problema".
- Com Obama, a diferença é que ele tenta resolvê-lo - disse Voigt ao "Washington Post".



