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Religião

Papa defende criação de Estado palestino

Bento XVI visita o Memorial do Holocausto, em Jerusalém, e condena a “face medonha” do antissemitismo

O presidente de Israel, Shimon Peres, e Bento XVI plantam árvore no jardim da residência presidencial, em Jerusalém: defesa da liberdade religiosa | Rina Castelnuovo/AFP
O presidente de Israel, Shimon Peres, e Bento XVI plantam árvore no jardim da residência presidencial, em Jerusalém: defesa da liberdade religiosa (Foto: Rina Castelnuovo/AFP)

Tel Aviv - Mal havia pisado o solo de Israel, o Papa Bento XVI defendeu ontem, em discurso às autoridades do país no aeroporto de Tel Aviv, a existência de duas "pátrias’’, uma para israelenses, outra para palestinos, com suas fronteiras "internacionalmente reconhecidas’’.

O primeiro-ministro do país, Binyamin Netanyahu, presente à cerimônia de acolhida ao pontífice, se recusa a endossar a solução de dois Estados, encampada pela ONU.

Bento XVI não chegou a usar a palavra "Estado’’, mas isso não enfraqueceu uma declaração que falava abertamente de "fronteiras’’. Contribuiu para o impacto de seu apoio ao Estado palestino o fato de ele ter sido dado ao lado de autoridades israelenses. Em visita à Terra Santa, em 2000, João Paulo II fez declaração similar, porém durante um encontro com autoridades palestinas.

Ontem, no mesmo discurso, o atual pontífice também fez a defesa de uma Jerusalém à qual "peregrinos’’ de todas as crenças possam ter acesso "livre e sem restrições’’. Israel controla o acesso de palestinos à cidade, onde se encontra um dos locais sagrados para os muçulmanos, a mesquita de Al Aqsa.

Em declarações que antecederam às do Papa, o presidente do país, Shimon Peres, afirmou que Israel "garante a liberdade absoluta de prática religiosa e o acesso livre a locais sagrados’’ e se referiu ao processo de paz com árabes e palestinos.

"Nós fizemos as pazes com o Egito e com a Jordânia e estamos negociando para consegui-la com os palestinos. Podemos chegar a uma ampla paz regional no futuro próximo’’, disse.

Holocausto

Na escala seguinte de sua viagem à Terra Santa, Bento XVI fez uma visita ao Memorial do Holocausto, em Jerusalém. Antes, no discurso de chegada, ele já havia criticado o antissemitismo, "que continua a mostrar sua face medonha em muitas partes do mundo’’.

Na visita ao memorial, o Papa, após apertar as mãos de seis sobreviventes do assassinato em massa comandado por Hitler, afirmou que o "grito’’ das vítimas da "grande catástrofe’’ ainda "ecoa em nossos corações’’. "Que o seu sofrimento nunca seja negado, minimizado ou esquecido.’’

O gesto não satisfez líderes religiosos judaicos. Um dos rabinos responsáveis pelo memorial, Israel Meir Lau, afirmou que "faltava algo’’ no discurso do Papa. "Não foi feito um pedido de desculpas’’, disse. O diretor do museu, Avner Shalev, criticou o fato de Bento XVI – forçado na adolescência a integrar a juventude hitlerista – não ter feito referência explícita aos "alemães nazistas’’ que levaram adiante o Holocausto.

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