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Internacional

Papa Leão XIV alerta para diferença ontológica entre arte humana e IA

Papa Leão XIV em momento de interação com fiéis da igreja católica.
Papa Leão XIV em momento de interação com fiéis da igreja católica. (Foto: Fábio Frustaci/EFE)

O Papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira que existe uma diferença fundamental entre a arte criada por humanos e aquilo que a inteligência artificial pode produzir com base no trabalho de outros. "A Igreja precisa de vocês", disse o pontífice durante um encontro com artistas no Vaticano, realizado em 2 de outubro. "Isso é especialmente verdadeiro nesta era da inteligência artificial, na qual precisamos urgentemente distinguir a arte humana daquilo que é produzido por máquinas."

"Há uma diferença ontológica — ainda antes de uma diferença estética — entre a arte e o que uma máquina pode gerar por meio de cálculo estatístico baseado em milhões de imagens criadas por outros. Os algoritmos carecem da centelha do humano, enquanto 'a cultura e a arte autênticas preservam essa centelha'", afirmou Leão, citando sua encíclica sobre IA, Magnifica Humanitas.

O papa disse que esta é a razão pela qual a Igreja Católica deseja renovar sua aliança com artistas e instituições culturais. O discurso de Leão a artistas e curadores no Palácio Apostólico fez parte de um encontro sobre "A Arte da Possibilidade: Tecendo Juntos", organizado pelo Dicastério para a Cultura e Educação.

O pontífice apontou para Santo Agostinho e seu testemunho sobre "a inquietação do coração humano em busca da verdade". "A arte, quando é autêntica, também é animada por essa inquietação. Por essa razão, a Igreja nunca considerou a arte como meramente decorativa. Em vez disso, para a Igreja, a arte nutre a postura fundamental de escuta, por meio da qual podemos aprender sobre as aspirações e feridas da humanidade, nossa sede de beleza, justiça e paz, e nossa busca por significado", disse.

Na era dos mecanismos de busca e suas respostas infinitas e instantâneas que apenas "nos dão o que já queremos", a arte é diferente, observou. A arte "não procede por indexação, mas por investigação", disse o pontífice. "De fato, sua investigação é uma atenção focada que não se satisfaz com a mera soma de fatos, pois nunca deixa de cavar mais fundo, buscando o fio que os une. Sua arte, quando resiste à homogeneização, quando atrai nosso olhar, quando nos obriga a pausar diante daquilo que não pode ser consumido, é uma forma de regeneração cultural e espiritual."

Leão citou a homilia de seu predecessor São Paulo VI de uma missa com artistas em 1964. "São Paulo VI proferiu palavras que permanecem como um marco para o relacionamento da Igreja com os artistas: 'Precisamos de vocês', ele disse. 'Nosso ministério precisa de sua colaboração. Pois, como vocês sabem, nosso ministério é pregar e tornar o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus, acessível e compreensível — na verdade, inspirador. E nesta tarefa, que traduz o mundo invisível em formas acessíveis e inteligíveis, vocês são mestres'", citou o Papa Leão.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope Leo on AI art: Beyond aesthetics, ‘there is an ontological difference’ https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-leo-on-ai-art-beyond-aesthetics-there-is-an-ontological-difference

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