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Internacional

Papa pede proteção de crianças migrantes que sofrem tortura e exploração nas rotas

Papa Leão XIV em momento de interação com membros da igreja católica.
Papa Leão XIV em momento de interação com membros da igreja católica. (Foto: Riccardo Antimiani / EFE)

O Papa Leão XIV apelou nesta quarta-feira ao "senso de responsabilidade de todos" para proteger crianças e adolescentes migrantes e refugiados, enfatizando que eles são os mais vulneráveis e frequentemente suportam "sofrimentos indescritíveis".

"Crianças e adolescentes são os mais vulneráveis", disse ele ao final de sua audiência geral semanal, recordando que o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados será celebrado no domingo, 27 de setembro.

Após sua catequese na Praça de São Pedro, o pontífice observou que muitos menores suportam "sofrimentos indescritíveis: violência, tortura, exploração, condições traumáticas, e não é incomum que percam suas vidas ao longo das rotas migratórias".

Diante dessa realidade, ele pediu que seja garantida a proteção e o apoio aos jovens migrantes.

"Apelo ao senso de responsabilidade de todos: que todos nos sintamos envolvidos na vida desses jovens, que devem sempre ser protegidos e apoiados", exortou Leão XIV.

A Igreja celebra o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados a cada ano para conscientizar sobre a situação das pessoas deslocadas e promover iniciativas de acolhimento, integração e acompanhamento, com atenção particular àqueles em circunstâncias mais vulneráveis.

Em sua mensagem para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados deste ano, intitulada "Mesmo Que Seja Uma Só Dessas Crianças", o Papa Leão XIV insistiu que "instituições públicas e privadas são obrigadas a colocar a proteção e a dignidade de cada criança e adolescente migrante no centro" de seus esforços.

Em sua catequese, o papa desafiou o "preconceito" que retrata o progresso científico e tecnológico como oposto à fé cristã e alertou sobre a "tragédia do humanismo ateu" descrita pelo cardeal jesuíta francês Henri de Lubac.

"Nos humanismos pós-cristãos, o ser humano e Deus são erroneamente apresentados como rivais: para afirmar seu conhecimento, sua liberdade e seu progresso, o homem teria que se emancipar de Deus. No entanto, ao final, ao negar o relacionamento com Deus, perde-se também a possibilidade de afirmar o valor transcendente da pessoa humana", disse o pontífice na Praça de São Pedro.

Segundo Leão XIV, essa interpretação "provocou uma mudança na forma como o homem contemporâneo vê o mundo, em comparação com eras anteriores", abrindo a porta para um "preconceito" que prevalece especialmente naquela parte da cultura ocidental que perdeu sua referência à revelação cristã.

Como parte de suas reflexões sobre a constituição pastoral Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II, o Santo Padre convidou os fiéis a perguntar: "Qual é o valor da atividade humana no mundo e, portanto, do progresso técnico, social e científico?"

"Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é o agente do progresso. Com liberdade e inteligência, ele aumenta seu conhecimento, fazendo assim avançar a sociedade como um todo", explicou.

O Papa Leão XIV também disse: "A humanidade — e com ela o trabalho, o progresso e a autonomia das realidades criadas — não é absorvida ou anulada pelo encontro com Deus, mas sim assumida em sua totalidade, continuando a ser, em Cristo, livre e ativa: de fato, é nele que encontra plena verdade e liberdade".

Dirigindo-se aos peregrinos reunidos na praça, o papa disse: "Os cristãos, como todos os demais, estão envolvidos na construção da cidade do homem, esforçando-se em direção ao fim de todas as coisas e ao encontro com Deus, e lembrando aqueles com quem compartilham a aventura do progresso, da ciência e da vida deste propósito último".

Ele acrescentou, no entanto, que o progresso terreno deve ser claramente distinguido do desenvolvimento do reino de Cristo.

"Finalmente, recordemos que para se tornar autêntico progresso humano — isto é, progresso para toda a pessoa e para todas as pessoas — o progresso técnico e científico deve ser inspirado e guiado pela caridade. Somente dessa forma pode ser sempre colocado a serviço da dignidade humana e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos", concluiu o papa.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope calls for protection of migrant minors: It is everyone’s responsibility https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-leo-xiv-calls-for-protection-of-migrant-minors-it-is-everyone-s-responsibility

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