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O governo do Paquistão afirmou ter bombardeado Cabul, capital do Afeganistão, na madrugada desta sexta-feira (27), e declarou estar em uma “guerra aberta” com o país vizinho, em uma escalada do conflito que já se tornou o incidente mais grave entre os dois países desde o retorno dos talibãs ao poder.
O porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão para a imprensa estrangeira, Mosharraf Zaidi, informou que os contra-ataques paquistaneses atingiram “alvos militares” em Cabul, Paktia e Kandahar. Por sua vez, o principal porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou os ataques à capital e alegou que não houve vítimas.
O regime afegão acrescentou que o país realizou “importantes operações de retaliação contra posições militares paquistanesas em Kandahar e Helmand”.
As forças do regime talibã e do Paquistão mantêm desde esta quinta-feira intensos combates noturnos em vários pontos da fronteira, após o lançamento de uma operação coordenada por Cabul ao longo da chamada Linha Durand, que ocorre cinco dias após uma série de incursões aéreas do Paquistão.
Segundo Zaidi, os ataques paquistaneses causaram a morte de 133 talibãs e deixaram mais de 200 feridos.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, também se pronunciou na rede social X. “Nossa paciência se esgotou. A partir de agora, estamos em guerra aberta. O Paquistão fez grandes esforços para manter a normalidade de forma direta e por meio de países amigos. Envolveu-se em uma diplomacia de pleno direito. Mas os talibãs se tornaram um representante da Índia”, justificou Asif.
O Paquistão vive um pico de violência interna, com ataques armados nas zonas fronteiriças com o Afeganistão que aumentaram desde que os talibãs tomaram Cabul em agosto de 2021.
O governo paquistanês acusa sistematicamente o regime afegão de dar refúgio a grupos terroristas no seu território, uma acusação que o outro lado rejeita.
Rússia e China tentam evitar escalada do conflito
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia instou nesta sexta-feira o Afeganistão e o Paquistão a cessarem suas hostilidades e retornarem ao diálogo.
"Instamos o Afeganistão e o Paquistão, ambos amistosos para nós, a abandonarem esta perigosa confrontação e regressarem à mesa de negociações para resolver todas as divergências por meios políticos e diplomáticos", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, em comunicado publicado no Telegram.
Após o isolamento da Rússia em decorrência do início da guerra da Ucrânia em 2022, o Kremlin se aproximou diplomaticamente do regime talibã do Afeganistão, um dos poucos países que se mostraram abertos, naquele momento, a trabalhar com Moscou.
A Rússia é o único país do mundo que reconhece oficialmente o regime no poder e deixou de considerar o Emirado Islâmico um grupo terrorista em abril de 2025.
A China declarou nesta sexta-feira que tem mediado "através de seus próprios canais" para aliviar as tensões entre o Paquistão e o Afeganistão e expressou sua disposição de continuar desempenhando "um papel construtivo" após a recente escalada militar entre os dois países, onde mantém interesses econômicos.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse em uma coletiva de imprensa hoje que Pequim está "profundamente preocupada" com a situação e "triste pelas vítimas" dos confrontos.
O regime de Xi Jinping pediu que ambos os lados garantam a segurança do pessoal, dos projetos e das instituições chinesas em seus respectivos países.
A China mantém laços estratégicos estreitos com o Paquistão, que considera um parceiro fundamental na Iniciativa Cinturão e Rota e no Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), e tem exigido repetidamente garantias de segurança após ataques contra trabalhadores chineses em território paquistanês.
Desde o retorno do Talibã ao poder em 2021, Pequim também desenvolveu uma relação pragmática com Cabul, focada na cooperação em segurança e na proteção dos seus interesses econômicos.








