
A ameaça vinda de grupos no Paquistão foi o destaque do relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre terrorismo mundial em 2009, divulgado ontem, recebendo mais atenção até do que o Irã.O relatório é anualmente elaborado por exigência do Congresso americano. No total, o ano de 2009 contabilizou 11 mil ataques terroristas (queda de 6% em relação ao ano anterior) em 83 países, que resultaram em mais de 15 mil mortes (queda de 5%).
O maior número de ataques ocorreu no Sudeste Asiático, que também concentrou as mortes. Somada ao Oriente Médio, a região foi palco de quase dois terços dos ataques que mataram mais de dez pessoas.
O material de 2009 afirma que o perigo "mais formidável enfrentado pelos EUA continua sendo o núcleo da rede Al-Qaeda no Paquistão, um aliado que recebe bilhões de dólares da Casa Branca para lutar contra o terror.
A ênfase do relatório chega num momento em que o governo americano tenta convencer Islamabad a cooperar mais eficazmente na guerra contra o terrorismo.
No jogo delicado da diplomacia, o texto toma o cuidado de elogiar a pressão dos paquistaneses sobre líderes da Al-Qaeda, o que teria resultado em abalos importantes em suas operações.
Também por isso, afirma o relatório, a Al-Qaeda se dispersou e se tornou mais diversificada geograficamente, o que levou por exemplo ao aumento do risco oferecido pelo braço da rede no Iêmen.
O Irã, que fora o maior destaque do relatório anterior, continua a ser o principal Estado apoiador do terrorismo no mundo e é acusado de desestabilizar o Oriente Médio e a Ásia Central.
Foram mantidas também preocupações com elos de Teerã na América Latina, principalmente com a Venezuela, vista como "não cooperante. São também considerados patrocinadores do terrorismo Cuba, Síria e Sudão, a mesma lista do relatório do ano anterior.
Outra preocupação do departamento foi com a "conclusão de que "americanos não são imunes à radicalização. Os Estados Unidos viram aumento do número de cidadãos que se uniram a redes terroristas em várias partes do mundo.
Cuba
O governo cubano rechaçou sua inclusão na lista de patrocinadores do terrorismo elaborada pelos EUA. Em Brasília, onde faz uma visita oficial, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, disse que a inclusão de seu país é um "ato de hipocrisia". "Denuncio o caráter hipócrita e politicamente motivado da inclusão de Cuba na lista", afirmou o ministro.
O ministro declarou que em Cuba há milhares de mortos e mutilados por atos terroristas organizados em territórios norte-americanos.
A diretora da chancelaria para a América do Norte, Josefina Vidal, exigiu que os Estados Unidos tirem imediatamente Cuba da lista. "Rechaçamos categoricamente a decisão do Departamento de Estado de incluir novamente Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional", disse a funcionária em nota.
"Mais uma vez, os Estados Unidos colocam em questão a seriedade do compromisso assumido no combate ao terrorismo internacional e mantém um dos aspectos mais irracionais que compõem a política de hostilidade contra Cuba", acrescentou.
Cuba está na lista negra desde 1982.



