
O Paquistão e o Afeganistão fecharam ontem, após anos de negociações, um acordo comercial que prevê uma abertura maior para o transporte na fronteira entre os dois países. O pacto foi assinado pelos ministros de Comércio das duas nações em Islamabad na presença da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que viajou para a cidade com o objetivo de pedir mais cooperação entre os paquistaneses e afegãos no combate às redes extremistas Al-Qaeda e Taleban.O acordo, que foi considerado por autoridades norte-americanas como um grande passo para a aproximação entre o Paquistão e o Afeganistão, ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos dois países. "Unir Islamabad e Cabul tem sido o objetivo desta administração desde o início", disse Richard Holbrooke, representante especial da Casa Branca para o Afeganistão e o Paquistão. "Esta é uma demonstração vívida de que eles estão ficando mais próximos."
A viagem de Hillary à Islamabad também tinha como meta mostrar aos paquistaneses que os EUA estão comprometidos com o desenvolvimento paquistanês no longo prazo, não apenas com ganhos de curto prazo relacionados à segurança. Na terça-feira, a secretária de Estado dos EUA deve passar por Cabul, capital do Afeganistão, para participar de uma conferência internacional que reunirá diplomatas de 70 países. A segurança na capital afegã foi reforçada, mas ainda assim um ataque suicida perto de um mercado matou ontem três civis e feriu dezenas.
Ameaça
A dois dias da chegada de representantes de 70 nações e organizações para a Conferência de Cabul, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) divulgou uma mensagem em que o líder espiritual do grupo islâmico Taleban, mulá Mohammed Omar, pede a captura e o assassinato de todos os civis que colaboram com a missão internacional.
O mulá Omar teria pedido ainda a seus combatentes que "lutem até a morte sem se render" contra as tropas estrangeiras e procurem capturar soldados com vida.
Caso seja genuína, a carta marca uma mudança das diretrizes do Taleban. No ano passado, o próprio mulá Omar pediu aos militantes que evitassem ferir civis mesma estratégia, aliás, ordenada pelo comando das tropas internacionais do país.



