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Violência

Paquistão prende suposto líder de ataques a Mumbai

Lakhvi, acusado de planejar os atentados na Índia, em foto de abril de 2008 | Abu Arqam Naqash/Reuters
Lakhvi, acusado de planejar os atentados na Índia, em foto de abril de 2008 (Foto: Abu Arqam Naqash/Reuters)

Islamabad - As Forças Armadas do Paquistão cercaram um suposto campo de treinamento do Laskhar-e-Taiba (exército dos devotos), grupo de origem paquistanesa ao qual a Índia atribui a autoria dos atentados de 26 de novembro em Mumbai. A ofensiva, com prisão de vários suspeitos de terrorismo, é a primeira resposta militar do país à pressão de Washington e Nova Délhi por um combate efetivo ao terrorismo.

Fontes militares afirmaram ontem que Zaki ur Rehman Lakhvi, acusado de ser o autor intelectual dos ataques, e pelo menos outras 11 pessoas foram detidos na Caxemira paquistanesa — onde, suspeita-se, eram treinados terroristas.

"Forças paquistanesas atacaram nossos campos em Muzaraffabad sob pressão dos EUA e da Índia. Nós repetimos que o Laskhar-e-Taiba não tem nada a ver com os ataques de Mumbai'', disse um porta-voz do grupo.

O Exército usou helicópteros para atacar ontem a área, que reunia uma escola religiosa e casas, e dominou-a após breve conflito na noite de domingo, relataram militares ouvidos sob condição de anonimato.

Extradição

Nova Délhi e Islamabad não têm acordo de extradição. Na semana passada, pressionado a entregar suspeitos de terrorismo, o presidente Asif Ali Zardari disse que os criminosos seriam julgados no próprio país.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, afirmou que a ação foi "um passo positivo''. A Casa Branca tem usado linguagem cautelosa para pressionar Islamabad, em um esforço para arrefecer a crise entre seus aliados regionais e evitar que tensões levem o Paquistão a mover soldados da fronteira afegã, bastião da Al-Qaeda e do Taleban, para a indiana.

A relação entre Islamabad e Nova Déli, rivais nucleares que vinham se reaproximando nos últimos anos, está estremecida desde a ofensiva terrorista contra Mumbai, que deixou 171 mortos no mês passado — número revisado de vítimas.

Segundo investigadores indianos, o único terrorista capturado, o paquistanês Ajmal Amin Kasav, 21 anos, contou ter sido recrutado por Lakhavi, que planejou com outro militante do Laskhar-e-Taiba, Yusuf Muzammil, a operação.

O Laskhar-e-Taiba, que combate o domínio indiano na Caxemira, disputada pelos dois vizinhos, é proscrito no Paquistão desde 2002.

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