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Para conter crise, Argentina corta dez ministérios e pretende reduzir gastos públicos

Governo deve anunciar um pacote econômico nesta segunda e vai negociar, na terça, a possibilidade de antecipação de parcelas de um empréstimo de US$ 50 bilhões acordados com o FMI em junho

Mauricio Macri, presidente da Argentina, continua neste domingo as negociações para viabilizar um pacote fiscal | GEOFFROY VAN DER HASSELT/AFP
Mauricio Macri, presidente da Argentina, continua neste domingo as negociações para viabilizar um pacote fiscal (Foto: GEOFFROY VAN DER HASSELT/AFP)

A crise econômica na Argentina, que causou uma desvalorização de 45% na moeda local frente ao dólar nos últimos seis meses e fez com que o país assinasse um acordo para liberação de US$ 50 bilhões por parte do FMI, obrigou o governo a promover um amplo ajuste da máquina pública. Depois de uma série de reuniões na tarde e noite de sábado, o presidente Maurício Macri decidiu, pelo menos, cortar dez ministérios.

Duas importantes figuras de seu governo, os vice-chefes de gabinete Mario Quintana e Gustavo Lopetegui deverão sair. Eles enfrentam desgastes dentro e fora da Casa Rosada, a sede do governo.

Segundo o jornal La Nación, deste modo, Macri busca dar resposta às demandas de uma redução da estrutura política e, ao mesmo tempo, oxigenar o governo em meio ao forte desgaste provocado pela crise econômica. 

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Outro jornal argentino, o Clarin, aponta que o presidente argentino e seu círculo mais íntimo estão convencidos de que, para reestabelecer a confiança dos mercados e estabilizar e estabilizar o dólar, a prioridade é reduzir o déficit, sendo necessário apresentar gestos de austeridade; 

As conversas devem continuar hoje e servirão de base para um pacote de medidas fiscais que será anunciado nesta segunda pelo ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, na tentativa de recuperar a confiança dos mercados, o que não será fácil. Na terça, ele deverá se reunir em Washington com a diretora-gerente do FMI, Cristine Lagarde para discutir a possibilidade de antecipar a liberação de parcelas do empréstimo. 

Além do corte nos ministérios, que se transformarão em secretarias, o governo estuda adiar medidas previstas na reforma tributária, que foi implantada em dezembro. Entre elas estão cortes nos impostos de renda e sobre o valor agregado – que equivalem ao ICMS e ao IPI no Brasil. 

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A ideia, segundo o La Nación, é postergar esses benefícios, mas tentando afetar o menos a competitividade do setor produtivo, que passa por uma forte recessão. Em junho, a atividade industrial teve uma queda de 8,1% em comparação a igual mês de 2017, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec, na sigla em espanhol). 

O governo também pretende adotar medidas para cortar o gasto público, como, por exemplo, a redução de compras estatais, freio em obras públicas e contratações de pessoal em regime temporário. As discussões também vão envolver os governadores das províncias (equivalentes aos estados no Brasil). 

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