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Mercosul

Para Dilma, combate ao terrorismo não justifica atos de espionagem

Presidente disse que o bloco tomaria “medidas cabíveis” para garantir a segurança cibernética de cidadãos e empresas

Presidentes na reunião da cúpula do Mercosul: Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai, o anfitrião), Dilma Rousseff (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela) | Nicolas Garrido/Reuters
Presidentes na reunião da cúpula do Mercosul: Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai, o anfitrião), Dilma Rousseff (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela) (Foto: Nicolas Garrido/Reuters)

A presidente Dilma Rous­seff afirmou ontem, em Montevidéu, após o fim da cúpula do Mercosul, que "a cooperação no combate ao terrorismo e outros crimes não é justificativa para a violação de direitos individuais de qualquer cidadão em qualquer Estado". Dilma fazia referência às denúncias de espionagem do governo dos EUA em relação ao Brasil e outros países latino-americanos.

Ela disse que o bloco tomaria "medidas cabíveis" para garantir a segurança cibernética de seus cidadãos e empresas, mas que aguardaria "sem sobressaltos" as explicações pedidas ao governo americano sobre as denúncias, feitas pelo ex-agente da CIA Edward Snowden.

"Somos atingidos pelas denúncias de que [nossa] comunicação eletrônica está sendo espionada. A espionagem atinge nossa soberania e direitos inalienáveis da nossa população. Defendemos a preservação de nossa soberania e privacidade de nossos cidadãos e empresas. Devemos também adotar medidas pertinentes para coibir a repetição dessas situações", disse Dilma. "Saúdo a decisão de rechaço do Mercosul para questões sobre ferimento de soberania."

Em decisão conjunta, os países reafirmaram o "compromisso histórico" das nações da região com relação ao direito de asilo. "É fundamental assegurar que seja garantido o direito dos asilados de transitar com segurança até o país que tenha concedido o asilo", diz o documento.

Dilma, porém, preferiu não comentar a possibilidade de países da região receberem Snowden.

Presidentes exigem desculpas a MoralesAgência Estado

Os presidentes do Mercosul decidiram exigir um pedido de desculpas públicas dos países europeus por causa da agressão contra o presidente Evo Morales, da Bolívia. Eles afirmam que o episódio poderia ter ocorrido contra qualquer outro presidente da região,

"Que ninguém se equivoque. Não é uma defesa somente ao presidente e ao povo da Bolívia. Poderia ter ocorrido com qualquer um de nós", disse a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em discurso durante a abertura da reunião de Cúpula do Mercosul.

Cristina reconheceu que, em diversas oportunidades, foi impedida de viajar no avião presidencial argentino, o Tango 1, aos países europeus por temor a embargos judiciais promovidos por credores que não aceitaram as duas reestruturações da dívida pública, que obtiveram 93% dos credores.

"Vou ser extremamente sincera, eu não pude viajar a alguns países da Europa com resquícios coloniais porque algum juiz poderia dispor algum embargo porque algum credor abutre não quis entrar nas reestruturações", disse a presidente, recordando o recente embargo da Fragata Libertad determinado pela Justiça de Gana.

Cristina denunciou a existência de novas formas de colonialismo, como as que proibiram Morales de sobrevoar o espaço aéreo de França, Itália, Portugal e Espanha, no último dia 2, por suspeitas de que levava em seu avião o ex-técnico de inteligência dos Estados Unidos, Edward Snowden. Ele é procurado pelos EUA após ter revelado os programas secretos de espionagem americanos em vários países, em meados de junho.

Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, na semana passada, filtrou documentos de Snowden revelando também que o Brasil e outros países da região foram objetos de espionagem por parte dos EUA.

O jornal The New York Times revelou ontem que o governo americano está exercendo forte pressão aos latinos para que não concedam asilo à Snowden. O presidente Barack Obama já avisou que o preço será alto para o país que conceder o asilo ao ex-técnico.

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