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América do Sul

Paraguai busca evitar o fim de línguas indígenas

Preservar cerca de 20 idiomas originais do país, parte de uma cultura ancestral ignorada até hoje, vira desafio para os paraguaios

Índio guarani: talvez seja tarde demais para o Paraguai salvar alguns idiomas indígenas | Lunae Parracho/Reuters
Índio guarani: talvez seja tarde demais para o Paraguai salvar alguns idiomas indígenas (Foto: Lunae Parracho/Reuters)

O guaná, com apenas quatro falantes, é uma das línguas indígenas que correm o risco de desaparecer no Paraguai, que tem como desafio preservar seus 20 idiomas originais se não quiser perder parte de uma cultura ancestral que historicamente foi deixada de lado por suas instituições.

As 20 línguas nativas do Paraguai — um número aproximado — são divididas em cinco famílias linguísticas (guarani, mataco, zamuco, maskoy e guaicurú), cada uma com suas respectivas variantes.

Um dos fatores que as colocam em risco é a desvantagem em relação ao castelhano e ao guarani paraguaio, a segunda língua oficial do país, que está impregnada de palavras e estruturas sintáticas do espanhol.

O guaná, da família maskoy, é um caso mais extremo, pois seus falantes são quatro idosas que vivem em uma comunidade com cerca de 200 pessoas no norte da região do Chaco, entre os rios Paraguai e Apa.

O lugarejo, que se estende por 40 hectares com casas precárias e sem nenhum tipo de infraestrutura, começou a abandonar sua língua no início do século 20, quando seus membros foram trabalhar para a empresa argentina Carlos Casado, a primeira fábrica de extrato de tanino das Américas.

"Os funcionários tiveram que utilizar o idioma de contato, o guarani paraguaio, e acabaram abandonando sua própria língua. Isso causou um corte geracional e os mais jovens deixaram de falar [o guaná]", diz Nieves Montiel, da Secretaria de Políticas Linguísticas.

A situação se repetiu com o fim do "boom" do tanino e os guaná se mudaram para Vallemi, perto de onde se encontram na atualidade, para trabalhar na recém-criada indústria nacional do cimento, onde o guarani paraguaio era o idioma mais utilizado.

"A invasão de uma língua dominante também ameaça o manjui, da família mataco, falado no Chaco por aproximadamente 350 pessoas, e outros idiomas da mesma região, como o tomaraho, do grupo zamuco, além do angaité e do sanapaná, na parte leste do país, ambos da família moskoi", alerta Montiel.

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