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Parlamento Europeu suspende tramitação de acordo comercial UE-EUA após medidas de Trump sobre Groenlândia

Manfred Weber, presidente do PPE, disse que, devido às “ameaças” de Trump em relação à Groenlândia, “a aprovação do acordo não é possível neste momento” (Foto: RONALD WITTEK/EFE/EPA)

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O Partido Popular Europeu (PPE) e a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), respectivamente de centro-direita e centro-esquerda e as duas maiores bancadas no Parlamento Europeu, afirmaram que a tramitação do acordo comercial da União Europeia (UE) com os Estados Unidos será suspensa na casa.

Líderes das duas bancadas informaram que a medida é uma resposta às ameaças de Washington de impor sobretaxas a países europeus que não concordam com a compra da Groenlândia pelos EUA.

O acordo, assinado em julho do ano passado pelo presidente Donald Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para dar fim à guerra comercial e tarifária entre os dois lados, mas que ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, prevê tarifas americanas de 15% sobre importações da UE em troca da isenção de taxas sobre exportações dos Estados Unidos para o bloco.

“O PPE é a favor do acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível neste momento”, afirmou em comunicado Manfred Weber, presidente do PPE. “As tarifas de 0% sobre os produtos americanos devem ser suspensas”, acrescentou.

Segundo informações do jornal italiano il Fatto Quotidiano, a líder do S&D, Iratxe García Pérez, também confirmou a suspensão da ratificação do acordo.

“As tarifas de 25% impostas por Trump aos aliados que apoiam a Groenlândia contra suas ameaças imperialistas são inaceitáveis. Devemos agir imediatamente: suspender as negociações sobre o acordo comercial UE-EUA e ativar o instrumento anticoerção. A UE não cederá à intimidação”, disse a eurodeputada espanhola.

No fim de semana, Trump anunciou tarifas contra oito países aliados, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, que se opõem à anexação americana da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês.

A partir de 1º de fevereiro, Washington vai cobrar uma tarifa de 10% sobre todas as exportações desses países para os Estados Unidos, taxa que será elevada para 25% em 1º de junho, “até que um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia” pelos americanos, escreveu Trump, que alega questões de segurança nacional para buscar anexar a ilha no Ártico.

O anúncio de Trump gerou revolta entre os países afetados, que estão considerando acionar a chamada “bazuca comercial”, uma série de retaliações que poderia incluir o bloqueio parcial do acesso dos Estados Unidos aos mercados europeus e controles de exportação.

Nesta terça-feira (20), o presidente americano também ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes da França, devido à recusa do governo Emmanuel Macron de integrar o Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.

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