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Parte da humanidade tem DNA de neandertal, diz estudo

Pessoas de origem europeia, asiática e australasiana possuem os genes neandertais

Os neandertais e os humanos modernos procriaram entre si, provavelmente quando os primeiros humanos começaram a sair da África, segundo um estudo genético divulgado nesta quinta-feira.

Pessoas de origem europeia, asiática e australasiana têm DNA neandertal, mas não os africanos, segundo artigo publicado na edição de sexta-feira da revista Science.

O estudo contribui com o prolongado debate sobre se os neandertais e os humanos modernos apenas viveram em proximidade na Europa e no Oriente Médio. "Os que vivem fora da África carregam um pouco de DNA neandertal", disse Svante Paabo, do Instituto Max Planck, em Munique, na Alemanha, quem comandou o estudo.

"A proporção de material genético herdado dos neandertais é de cerca de 1 a 4 por cento. É uma proporção pequena, mas muito real de ancestralidade nos não africanos hoje", disse a jornalistas por telefone David Reich, da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, que participou do estudo.

Embora as conclusões possam provocar piadas sobre o comportamento ou os traços "pré-históricos" de alguém, Paabo disse que isso não é verdade. "Até onde podemos dizer, são apenas peças aleatórias de DNA."

Os pesquisadores fizeram o sequenciamento completo do genoma de ossos de neandertais encontrados na Croácia, Rússia, Alemanha e Espanha, inclusive de ossos esmagados, achados numa caverna croata, que apontam para evidências de canibalismo.

"Nesses ossos de 30 e 40 mil anos de idade, há naturalmente pouquíssimo DNA preservado", disse Paabo. Segundo ele, 97 por cento ou mais do DNA extraído eram de bactérias e fungos.

As sequências genéticas dos neandertais foram comparadas ao DNA de cinco pessoas da Europa, Ásia, Papua Nova Guiné e África.

Os resultados, segundo Paabo, "são certamente uma indicação do que aconteceu socialmente quando os neandertais e os humanos modernos se encontraram."

"Houve um cruzamento em um pequeno nível. Eu prefiro deixar para outros que desejem brigar sobre chamar-nos de uma espécie à parte ou não. Eles (neandertais) não eram geneticamente muito diferentes de nós."

Os pesquisadores identificaram cinco genes exclusivos dos neandertais, sendo três da pele. "Isso sugere que algo na fisiologia e morfologia da pele mudou nos humanos", disse Paabo.

Em março, a equipe dele relatou a descoberta de uma espécie humana previamente desconhecida, que viveu 30 mil anos atrás junto com humanos modernos e neandertais na Sibéria.

Há anos cientistas especulam que várias espécies diferentes de humanos conviveram em vários momentos no último milhão de anos. Muitas, no entanto, teriam habitado zonas tropicais, onde a preservação dos ossos é pior.

Paabo disse que os africanos modernos podem portar parte desse DNA desconhecido, mesmo que não tenham antepassados neandertais.

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