
O Partido Comunista Chinês exerce influência direta na escolha de bispos católicos no país, conforme apontam especialistas e organizações internacionais neste dia 28 de outubro de 2026. O processo ocorre sob um acordo secreto firmado em 2018 entre a Santa Sé e o governo de Pequim, que foi renovado recentemente por mais quatro anos, apesar de críticas sobre a perda da liberdade religiosa na região.
Como funciona o atual acordo entre o Vaticano e o governo chinês?
O acordo provisório, estabelecido em 2018 e renovado sucessivas vezes, define um procedimento para a nomeação de bispos na China continental. Embora o Vaticano afirme que o Papa detém a palavra final e decisiva nas escolhas, o texto completo do documento nunca foi publicado. Na prática, o governo chinês realiza assembleias oficiais para eleger candidatos e envia os nomes para aprovação papal. Críticos e entidades como a Human Rights Watch afirmam que o Vaticano nunca utilizou seu direito de veto, o que levanta dúvidas sobre a autonomia real da Igreja nas decisões.
O que mudou na Igreja Católica na China em comparação ao século passado?
Em 1926, o Papa Pio XI consagrou pessoalmente os primeiros seis bispos chineses na Basílica de São Pedro para dar autonomia nativa à Igreja local e afastar a influência de potências europeias. Naquela época, os bispos eram livres para viajar a Roma e encontrar o pontífice. Hoje, o cenário é inverso: a política de sinização — que exige que a religião se adapte à doutrina e cultura ditadas pelo Estado — limita a liberdade. Especialistas notam que, cem anos depois, os bispos da China continental não podem viajar livremente para o exterior e a interferência política é constante.
O que significa o conceito de sinização imposto pelo Partido Comunista?
A sinização é uma estratégia política de Pequim que busca moldar as religiões para que elas sigam rigorosamente a cultura chinesa e, principalmente, a ideologia do Partido Comunista Chinês (PCC). Na prática religiosa, isso significa que o ensino e a evangelização católica devem estar em conformidade com as diretrizes do governo. Esse controle rígido atinge toda a sociedade civil e força os católicos a se integrarem à Associação Patriótica Católica da China, uma entidade oficial controlada pelo Estado, o que enfraquece a ligação direta e espiritual com a autoridade universal do Vaticano.
Qual é a situação atual dos católicos que viviam na clandestinidade?
A comunidade católica na China foi dividida por décadas entre a Igreja oficial, registrada no governo, e a clandestina, fiel apenas ao Papa. Com o acordo de 2018, muitos fiéis clandestinos foram pressionados a sair das sombras. No entanto, o resultado tem sido desastroso para esses grupos: bispos que saíram da clandestinidade foram despojados de suas funções e outros morreram sem que substitutos fossem permitidos. Isso gerou uma desordem nas comunidades que antes resistiam ao controle estatal, enquanto o poder da Associação Patriótica sobre todos os católicos foi fortalecido.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





