O governo peruano prevê a reconstrução de até 50.000 moradias destruídas pelo violento terremoto que devastou a costa sul do Peru no dia 15 de agosto, informou nesta quinta-feira o presidente do Fundo de Reconstrução do Sul (Forsur, criado pelo governo), Julio Favre.
Os planos foram revelados durante um encontro com a Associação de Imprensa Estrangeira, durante a qual admitiu que, passadas três semanas do desastre, são urgentemente necessárias 20.000 tendas para abrigar os cerca de 200.000 desabrigdos do sismo que deixou mais de 500 mortos e mais de 1.100 feridos.
"Ainda não há informações detalhadas sobre as casas a serem reconstruídas, temos uma previsão de que seríam 10.000, mas esse número ainda pode subir, já que a Defesa Civil calculou em 50.000 as moradias destruídas e todos têm o mesmo direito", disse Favre.
Segundo o presidente do Forsur, o fundo conta com um orçamento inicial de 100 milhões de dólares provenientes do Estado peruano e 38 milhões de dólares em doações, parte da ajuda humanitária internacional oferecida aos sobreviventes das cidades de Cañete, Chincha, Pisco e Ica, no sul do Peru.
Favre se recusou a fixar prazos para o cumprimento do trabalho - segundo ele, devido à magnitude da missão, que inclui o planejamento de toda a infraestrutura das localidades afetadas. Além disso, caberá ao Forsur decidir se Pisco, que teve 80% de suas construções destruídas, será reedificada sobre o mesmo lugar ou se mudará sua localização por estar situada sobre uma zona de instabilidade sísmica.
As autoridades peruanas ainda não definiram um período de transição entre a atual situação de emergência pós-sismo e a reconstrução.
O Forsur entrou em funcionamento no dia 4 de setembro, e Favre acredita que a tarefa possa levar até 18 meses, mas o Congresso determinou que o prazo para a conclusão dos trabalhos é indefinido.
"Os trabalhos de reconstrução de casas e das redes viária, elétrica, de telecomunicações e de água, serão realizados por empresas privadas através de um sistema de prestação de serviços terceirizados", explicou Favre, empresário que assumiu o cargo no Forsur com a condição de não cobrar un centavo.
As casas serão subsidiadas e financiadas com empréstimos de fácil acesso para a população afetada.
Até agora o governo peruano calculou um subsídio de 6.000 dólares para cada proprietário das novas casas, o equivalente a quase 70% do valor do imóvel.



