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Astronomia

Pistas sobre o universo

Cientistas instalam um dos maiores projetos astronômicos do mundo no Deserto do Atacama, a mais de 5 mil metros de altitude

Para carregar as antenas, é preciso veículos especiais (veja foto abaixo), cada um com 28 pneus e potência equivalente a dois carros de Fórmula 1 | The New York Times
Para carregar as antenas, é preciso veículos especiais (veja foto abaixo), cada um com 28 pneus e potência equivalente a dois carros de Fórmula 1 (Foto: The New York Times)
Um dos dois transportadores, batizados de Otto e Lore |

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Um dos dois transportadores, batizados de Otto e Lore

Caminhões empacam na estrada para este platô 5.058 metros acima do nível do mar,­­ no Deserto do Atacama, onde cientistas estão instalando um dos maiores projetos astronômicos em solo de todo o mundo. Cabeças doem. Narizes sangram. A tontura toma conta dos pesquisadores que trabalham à sombra do vulcão Licancabur.

"Também há o que nós chamamos de ‘pernas bambas’", disse Diego Garcia-Appa­­doo, astrônomo espanhol­­ que estuda a formação das galáxias. "Você fica exausto, como se tivesse acabado de correr uma maratona."

No entanto, as mesmas con­­dições que tornam tão inós­­pito o Atacama, o deserto mais seco do mundo, também o tornam fascinante para a astronomia. Longe das grandes cidades, o Atacama tem uma escassez de poluição luminosa. Seu clima árido impede que os sinais de rádio sejam absorvidos por gotículas de água. A altitude, igual à dos campos de base do Himalaia, onde os escaladores se preparam para subir o Monte Everest, deixa os astrônomos mais perto do céu.

Aberta em outubro do ano passado, a Matriz Atacama de Largo Milímetro/submilímetro, conhecida como Alma, terá espalhado 66 antenas de rádio perto da espinha dorsal dos Andes quando estiver­­ completa, no ano que vem.­­ Atraindo mais de US$ 1 bilhão em financiamentos, es­­pe­­cialmente dos Estados Uni­­dos, de países europeus e do Japão, a Alma ajudará os cientistas que encaram o ar rarefeito para estudar as origens do universo.

O projeto também fortalece a posição do Chile na van­­guarda da astronomia. Já existem observatórios espalhados por todo o Atacama, entre eles o Observatório de Cerro Paranal, onde cientistas descobriram, em 2010, a maior estrela já observada até­­ hoje, e o Observatório In­­teramericano de Cerro Tololo, que foi fundado em 1961 e sobreviveu ao tumulto da revolução e contrarrevolução dos anos 1970.

Mas a Alma é o início de uma nova era para a astronomia no Chile, que é favorecido por organizações internacionais de pesquisa por causa da estabilidade de seus sistemas econômico e legal. Como outros radiotelescópios, a Alma não detecta luz óptica, mas ondas de rádio, permitindo que os pesquisadores estudem partes do universo que são escuras, como as nuvens de gases frios de onde as estrelas são formadas.

Com a Alma, astrônomos­­ esperam descobrir onde as primeiras galáxias foram formadas, e talvez até detectar sistemas solares capazes de suportar vida, com planetas­­ que contêm água. Mas os cien­­tistas daqui são cautelosos em relação às suas chances de encontrar vida em outros lugares do universo, explicando que as provas definitivas provavelmente continuarão a ser um mistério.

"Não conseguiremos ver formas de vida, mas talvez sinais de vida", disse Thijs de Graauw, astrônomo holandês que é o diretor da Alma.

Apesar disso, cientistas acre­­ditam que a Alma possi­­bilitará saltos transformacionais na compreensão do universo, permitindo a busca pelos chamados traços de gás frio – as cinzas de estrelas que explodiram cerca de algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, uma era que astrônomos chamam de "aurora cósmica".

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