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pobreza américa latina
Nesta foto de arquivo, tirada em 28 de agosto de 2020, um homem cozinha do lado de fora de uma barraca montada em um terreno ocupado por moradores de rua nos arredores de Guernica, na província de Buenos Aires, ao sul da capital argentina, em meio a crescente pobreza em uma crise econômica exacerbada pela pandemia de Covid-19| Foto: Ronaldo SCHEMIDT/AFP

A pandemia e a crise econômica elevou o índice de extrema pobreza na América Latina em 2020 a níveis que não eram observados há 20 anos. Segundo um estudo conduzido pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), estima-se que 78 milhões de pessoas que vivem na região não dispõem de recursos que permitam satisfazer suas necessidades básicas de alimentação – oito milhões de pessoas a mais do que em 2019. Isso representa 12,5% da população.

Segundo a organização ligada às Nações Unidas, o índice de pobreza extrema poderia ter chegado a 15,8% caso os governos não tivessem adotado medidas de proteção social, como auxílios emergenciais, que beneficiaram quase 50% da população da América Latina.

O índice de pobreza geral – condição em que a renda de uma pessoa é menor que o valor de uma cesta básica com itens de alimentação, limpeza e higiene – também aumentou no ano passado. Agora são aproximadamente 209 milhões de pessoas, ou um em cada três latino-americanos (33,7% de 654 milhões de habitantes), vivendo nesta situação – 22 milhões a mais do que em 2019, o maior aumento registrado neste índice em 12 anos.

"Os efeitos da pandemia do coronavírus se espalharam por todas as áreas da vida humana, alterando a forma como interagimos, paralisando economias e gerando mudanças profundas nas sociedades", apontou o relatório, citando uma queda de 7,7% no PIB da região no ano passado.

A Cepal defende que seja necessário retomar ou continuar com programas de transferências de recursos para os mais necessitados e que, no longo prazo, os governos da região instituam uma renda básica universal e apostem "em sistemas de proteção social universais, integrais e sustentáveis".

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