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Literatura

Poeta sueco conquista o Nobel

Depois de anos entre os favoritos, Tomas Tranströmer, de 80 anos, leva o prêmio por criar uma poesia “visionária, complexa e direta”

Considerado o maior poeta vivo da Suécia, Tranströmer aparece ao lado da mulher, Monica, pouco depois do anúncio do Prêmio Nobel de Literatura, ontem | Maja Suslin/Reuters
Considerado o maior poeta vivo da Suécia, Tranströmer aparece ao lado da mulher, Monica, pouco depois do anúncio do Prêmio Nobel de Literatura, ontem (Foto: Maja Suslin/Reuters)

O mais famoso poeta sueco vivo, Tomas Tranströmer, recebeu ontem o Prêmio Nobel de Litera­­tura, mais de 20 anos depois que um derrame cerebral limitou se­­ria­­mente sua fala e seus movimentos, mas não a contundência de seus escritos.

A Academia Sueca deu o prêmio a um sueco pela primeira vez em mais de 30 anos, dizendo que escolheu Tranströmer "porque, através de suas imagens condensadas, translúcidas, ele nos proporciona um novo acesso à realidade".

"Quero dizer que ele é um dos maiores poetas do mundo hoje", disse Peter Englund, secretário permanente da Academia Sueca, após o anúncio do prêmio, que vem acompanhado de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,7 milhões).

Englund disse que o poeta recebeu a notícia com calma. "Acho que ele ficou surpreso, espantado", disse Englund à televisão sueca. "Ele ficou sentado, ouvindo música. Mas disse que era muito bom."

Em 1990, Tranströmer sofreu um derrame que limitou sua fala e os movimentos do lado direito do corpo.

Pianista exímio, ele ainda toca com a mão esquerda. Englund disse que o trabalho de Tranströmer evoca emoções fortes com economia de expressão, em poemas habilmente construídos.

"É poesia visionária", comentou Neil Astley, editor fundador da Bloodaxe Books, que publica os livros de Tranströmer na Grã-Bretanha. "[Sua obra] é complexa, mas, ao mesmo tempo, muito direta. Ele trabalhou a maior parte da vida como psicólogo e seus versos são caracterizados por uma forte compreensão psicológica da humanidade", disse Astley.

Tranströmer vinha sendo indicado para o prêmio todos os anos desde 1993. A última vez em que o Nobel de Literatura foi dado a um sueco tinha sido em 1974, quando foi dividido por Eyvind Johnson e Harry Martinson. O fato de ambos serem membros da Academia Sueca tornou a decisão polêmica.

Tomas Tranströmer nasceu em Estocolmo em 15 de abril de 1931, filho de mãe professora e pai jornalista. Sua obra de 1954, 17 Poems, foi uma das estreias literárias mais aclamadas da década, e, depois de se formar em Psicologia, ele passou a dividir seu tempo entre a poesia e o trabalho como psicólogo.

Além de serem apreciadas na Suécia, suas obras foram traduzidas para mais de 60 idiomas. O poeta norte-americano Robert Hass disse certa vez que a obra de Tranströmer, embora seja difícil de descrever, "confere um senso agudo de como é ser uma pessoa comum, que cuida de sua vida normalmente, no momento em que essa vida sai dos trilhos".

A Academia disse que os livros de Tranströmer se caracterizam por economia de palavras, concretude e metáforas comoventes. Suas coletâneas mais recentes de poemas, The Sorrow Gondola e The Great Enigma, seguiram um formato muito menor e mais concentrado, disse a Academia.

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