Roma A polícia italiana prendeu pelo menos 45 pessoas ontem, numa operação que visava impedir uma guerra de sucessão dentro da máfia, depois da prisão, em abril último, de Bernardo Provenzano, considerado o "chefe dos chefes. De acordo com a polícia, os suspeitos, incluindo líderes de 13 famílias mafiosas da região da Sicília, elaboraram uma rede de apoio que permitiu a Provenzano permanecer em fuga por 43 anos.
Ao todo, 52 mandados de prisão foram expedidos e outros estariam sendo preparados. A operação se orienta por informações obtidas através de escutas telefônicas. Centenas de horas de gravação obtidas durante dois anos foram analisadas.
A onda de capturas é mais um golpe à Cosa Nostra, a máfia siciliana.
"A Cosa Nostra está de joelhos", comemorou o procurador nacional antimáfia, Piero Grasso. Mais de 500 policiais foram mobilizados para a prisão dos 45 supostos integrantes do grupo criminoso. As sete pessoas que não foram localizadas continuariam sendo procuradas.
Numa outra ronda, 16 chefes mafiosos, que controlavam separadamente diversos bairros de Palermo, foram detidos, entre os quais Antonino Rotolo, 60 anos, Francesco Bonura, 64 anos, e Antonino Cina, 61 anos, considerados importantes "pela função de direção" que exerciam. "Todos foram condenados no passado por atos mafiosos e cumpriram pena. Mas assim que deixaram a prisão, voltaram à máfia", destacou Piero Grasso. "A investigação mostra ligações entre as células mafiosas, empresários e políticos", indicou.
Salvatore Cuffaro, reeleito em 28 de maio presidente da região autônoma da Sicília, foi interrogado pela segunda vez por procuradores num processo em que é acusado de agir em favor da Cosa Nostra.
As gravações de escuta telefônica mostra os mafiosos discutindo tranqüilamente seus negócios criminosos. Eles ficavam calmos ao ligar um sistema de bloqueio, mas não desconfiavam que justamente esse aparelho gravava suas conversas, segundo a polícia.
Os advogados e policiais conseguiram reconstituir o organograma atual da rede mafiosa de Palermo graças à decodificação das dezenas de cartas e documentos encontrados no esconderijo do chefão Bernardo Provenzano. O chefão da máfia siciliana, de 73 anos, tinha codificado toda sua correspondência substituindo os nomes e sobrenomes de seus contatos por séries numéricas.



