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Ditador capturado

Por que cubanos cuidavam da segurança de Maduro

O ditador cubano Miguel Díaz-Canel ao lado de Maduro, em encontro em Caracas em abril de 2024 (Foto: Miguel Gutiérrez/EFE)

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Após a captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos no sábado (3), a ditadura de Cuba relatou que 32 cubanos que fariam parte da equipe de segurança do chavista teriam sido mortos na ofensiva americana.

Embora a parceria entre os dois regimes seja conhecida há décadas, o tamanho do contingente da ditadura de Havana que protegia Maduro chamou a atenção.

Em artigo publicado em 2024 em diversos sites, como o argentino Perfil, o historiador Jorge G. Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores do México, lembrou que Cuba passou a enviar “milhares de médicos, enfermeiros, instrutores esportivos, assessores de segurança e agentes de inteligência” para a Venezuela em troca de petróleo subsidiado depois da tentativa fracassada de um setor do Exército de derrubar Hugo Chávez em 2002.

Estimativas mais recentes apontam que há cerca de 15 mil cubanos atuando em várias áreas na Venezuela, número que chegou a 30 mil no passado.

Embora ao longo das duas últimas décadas o regime chavista tenha conseguido cooptar a maior parte dos militares venezuelanos (expurgando no caminho os “desleais”), a desconfiança nunca foi superada, o que levou à decisão de usar agentes cubanos como seguranças pessoais dos dois ditadores e para “monitorar de perto as forças armadas venezuelanas em todos os níveis”, destacou Castañeda.

O pesquisador destacou que a fama de eficiência dos cubanos atraiu Chávez e Maduro, já que agentes de segurança de Havana impediram várias tentativas dos EUA de matar Fidel Castro e também descobriram “uma série de conspirações — algumas reais, outras imaginárias — contra o regime comunista” da ilha.

Em novembro, o analista militar venezuelano José García disse ao jornal britânico Financial Times que a equipe de segurança pessoal de Maduro havia se tornado “ainda mais cubana”, já que o ditador temia que os venezuelanos pudessem “se mostrar desleais, visto que os salários foram desvalorizados pela inflação descontrolada”.

Nenhum reforço, porém, foi suficiente para conter a operação dos Estados Unidos – e a história do ditador que confiou em agentes de outro país para cuidar da sua segurança e mesmo assim foi deposto já entrou para o folclore político da América Latina.

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