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Para entender

Por que o Paquistão se tornou o principal mediador entre EUA e Irã?

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião sobre paz em Gaza realizada em outubro do ano passado no Egito. (Foto: YOAN VALAT/EFE/EPA/POOL)

O Paquistão assumiu um papel central na diplomacia global ao intermediar um cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, anunciado nesta terça-feira (7). A atuação de Islamabad evitou ataques a instalações de energia iranianas e possibilitou a reabertura parcial do Estreito de Ormuz.

Como o Paquistão conseguiu mediar esse conflito?

O país ocupa uma posição geográfica e diplomática estratégica. Ao mesmo tempo em que mantém fortes laços econômicos e militares com os Estados Unidos, o Paquistão compartilha uma longa fronteira e afinidades culturais com o Irã. Essa capacidade de manter as portas abertas com Washington e Teerã permitiu que Islamabad servisse como o último canal de comunicação confiável quando o diálogo direto entre as duas potências estava totalmente interrompido.

Qual foi a influência do governo Trump nessa negociação?

A proximidade recente entre o governo paquistanês e a gestão de Donald Trump foi decisiva. Islamabad investiu meses cultivando relações diretas com a Casa Branca. Durante o auge da crise, o chefe das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, manteve contato constante com autoridades americanas, enquanto o primeiro-ministro Shehbaz Sharif atuava na frente diplomática para convencer os dois lados a aceitarem uma pausa nos bombardeiros.

Por que o Paquistão tem tanto interesse no fim desses ataques?

O interesse é, em grande parte, econômico. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial, causou uma disparada nos preços dos combustíveis, castigando a economia paquistanesa que depende da importação de energia. Além disso, o governo quer evitar que a polarização entre pró-Irã e pró-EUA resulte em instabilidade e protestos violentos dentro do próprio território paquistanês.

Por que outros países da região não assumiram esse papel?

Tradicionalmente, países como Catar e Omã faziam essa ponte. No entanto, o agravamento da guerra e ataques iranianos contra instalações de energia no Catar reduziram a neutralidade desses atores. Como o Paquistão não tem relações com Israel e apoia a causa palestina, ele se tornou um interlocutor mais aceitável para o regime iraniano, preenchendo o vácuo deixado pelos países do Golfo que estão sob pressão direta de Teerã.

O cessar-fogo corre riscos de ser interrompido?

Sim, a trégua é considerada frágil. Já no primeiro dia, surgiram divergências sobre o alcance do acordo. Israel afirmou que continuará atacando o Hezbollah no Líbano, alegando que o pacto com Trump cobre apenas bombardeios diretos contra o Irã. Em resposta, o Irã ameaçou fechar novamente o Estreito de Ormuz. O governo paquistanês já fez apelos públicos por moderação para evitar que as negociações de paz fracassem logo no início.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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