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Pesquisa

Prazeres da boa música e do sexo começam em uma mesma região do cérebro

O mecanismo químico do prazer do sexo e da boa música tem como pano de fundo a mesma substância orgânica, a dopamina

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, escanearam os cérebros de indivíduos enquanto ouviam canções novas e perguntaram quanto eles gastariam na compra das faixas musicais | Divulgação
Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, escanearam os cérebros de indivíduos enquanto ouviam canções novas e perguntaram quanto eles gastariam na compra das faixas musicais (Foto: Divulgação)

A sensação boa causada pela música que se gosta logo ao ouvi-la pela primeira vez tem a mesma origem no cérebro que a satisfação de uma boa refeição ou de uma noite de sexo. Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, escanearam os cérebros de indivíduos enquanto ouviam canções novas e perguntaram quanto eles gastariam na compra das faixas musicais. Eles descobriram que as canções mais populares - aquelas que as pessoas estavam mais dispostas a pagar - foram também as que suscitaram a resposta mais forte no núcleo accumbens, uma estrutura no centro do cérebro que está envolvida no processamento de recompensa.

"Essa área é importante porque está envolvida em formação de expectativas", afirmou Valorie Salimpoor, da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, ao jornal britânico "The Guardian". "O que torna a música tão emocionalmente poderosa é a criação de expectativa. Atividade no núcleo accumbens normalmente indicam que as expectativas estão sendo atendidas ou superadas."

O mecanismo químico do prazer do sexo e da boa música tem como pano de fundo a mesma substância orgânica, a dopamina. No experimento, publicado na revista "Science", Valorie e seus colegas escanearam os cérebros de 20 pessoas que usaram uma interface semelhante a do iTunes para ouvir 30 segundos de clipes de músicas que nunca tinha ouvido antes, mas estavam em um gênero que gostavam.

"Em vez de apenas perguntar-lhes se eles gostaram da música ou não, nós demos a eles a chance de comprar a música, porque isso nos dá uma compreensão real do que eles realmente gostam e querem", disse a cientista.

Imediatamente depois de ouvir cada clipe, eles tomavam uma decisão. Eles poderiam gastar até dois dólares. As imagens do cérebro mostraram uma relação direta entre a força da resposta do núcleo accumbens a uma música e quanto eles estão dispostos a pagar por isso. Esta parte do cérebro não estava agindo sozinha, entretanto. Valorie também descobriu que este pedaço do cérebro estava usando informações de outra região do órgão, o giro temporal superior.

Esta parte do cérebro é a parte que tem armazenado todos os modelos da música que ouvimos no passado e é única para cada indivíduo, conclui a pesquisa. A maneira que nós gostamos de música, portanto, é 100% original de quem somos e da maneira que o nosso giro temporal superior foi moldado.

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