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Líderes mundiais reagiram nesta quarta-feira (4) ao resultado das eleições de meio de mandato dos EUA, as midterms, que resultaram em uma dura derrota ao Partido Republicano e, em consequência, ao presidente americano, Donald Trump. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, citou o Brasil ao celebrar a vitória dos democratas e afirmou que os americanos votaram “contra políticas que só empobrecem, contra o ódio, contra o sexismo, contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites”.
"Ontem, a sociedade americana votou contra políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites. Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha. A onda de extrema-direita que Feijóo e Abascal tentam surfar não está mais crescendo: está desmoronando", disse o premiê espanhol de esquerda que mês passado antecipou as eleições após sucessivas derrotas no Parlamento local.
O ministro da Economia da França, Roland Lescure, alertou que, apesar de sair derrotado nessas eleições, Trump "continua no comando" e ressaltou o "caráter um tanto imprevisível" do chefe da Casa Branca.
Em entrevista à emissora BMFTV/RMC, ele coloca dois cenários como possíveis: o primeiro é que Trump decida se colocar "acima do confronto”, reconheça a necessidade de mudar algumas de suas políticas, especialmente em relação ao preço da gasolina, e “modere um pouco seu compromisso internacional”; o segundo é que mantenha sua orientação atual.
No entanto, Lescure destacou a primeira reação de Trump, em que se disse "totalmente disposto" a aceitar a derrota de seu partido, como "bastante conciliadora".
"Sua primeira comunicação focou na política interna e foi bastante conciliadora. Ele reconhece a derrota e reconhece a qualidade dos candidatos democratas", pontuou o chefe da pasta econômica francesa.
A Noruega destacou o resultado do pleito como "um sinal político poderoso sobre uma mudança de rumo entre os eleitores americanos".
"Estão surgindo vozes na política americana que estão mais próximas de nós do que as defendidas pelo presidente e pelo governo, por exemplo, em questões climáticas e ambientais, e em política externa e de ajuda ao desenvolvimento", afirmou o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, à agência Reuters.
Em um tom neutro, a China declarou que as eleições americanas são "um assunto interno" do país, mas se mostrou disposta a "seguir trabalhando" com os Estados Unidos para a construção de uma relação "baseada no respeito, na equidade e na reciprocidade".
"A China está disposta a seguir trabalhando com os EUA para preservar e aplicar os importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado de ambos os países", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, que também defendeu a necessidade de "gerenciar adequadamente as diferenças" e "ampliar a cooperação".
Além disso, a porta-voz também ressaltou a importância de ambas as nações seguirem construindo "uma relação de estabilidade estratégica construtiva entre a China e os EUA".
A Rússia diz que espera que Trump siga com "esforços de pacificação" e que torce para que a vitória dos democratas não afete a atuação do chefe da Casa Branca.
O Japão, através do secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a relação entre Tóquio e Washington não muda. "Com a situação internacional se tornando turbulenta e cada vez mais incerta, uma aliança forte entre Japão e EUA é essencial para maximizar os interesses nacionais do Japão e para a paz e a estabilidade da comunidade internacional", pontou Kihara.
As principais lideranças iranianas relacionaram o fracasso do presidente americano à guerra que ambos os países travam desde fevereiro.
"Por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem. Se o governo dos EUA trair a vontade popular para servir a financiadores e chantagistas internacionais, aprenderá que nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo", publicou no X o presidente do Parlamento do Irã e chefe negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Por sua vez, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, descartou que a vitória dos democratas mude a relação política entre os dois países.
"Se ainda há quem mantenha alguma esperança em uma mudança de comportamento ou nas alternâncias entre partidos e facções dentro do sistema de dominação, ou acredite que mediante concessões aos Estados Unidos pode fazer com que abandonem sua inimizade com a nação iraniana, está profundamente enganado", afirmou Khamenei, ressaltando que "o desejo do Grande Satã [se referindo aos EUA] é a rendição incondicional da nação iraniana".
Por outro lado, ele opina que a derrota dos republicanos é consequência "do descrédito que os próprios arrogantes causaram a si mesmos, o poder e a hegemonia em declínio dos Estados Unidos sofreram uma queda irreversível tanto no âmbito de seu poder militar quanto no de seu poder brando internacional, e o processo de seu colapso se acelerou".



