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O primeiro-ministro socialista da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta quarta-feira (14), em uma publicação na rede social X, apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial brasileira, que deve ocorrer no dia 25 de outubro.
"Lula representa um Brasil que luta contra a injustiça e a desigualdade, que amplia direitos e que defende a democracia diante do autoritarismo", escreveu Sánchez. "Esse Brasil merece continuar avançando rumo a um futuro de esperança e progresso. Por isso, todo o nosso apoio a Lula. Força!", acrescentou o primeiro-ministro espanhol.
Sánchez governa a Espanha desde 2018 e também comanda o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Ele mantém uma relação próxima com Lula. Em abril deste ano, os dois participaram de uma reunião bilateral em Barcelona, na Espanha, durante a qual seus governos assinaram 15 acordos de cooperação em áreas como minerais críticos, tecnologia, ciência e combate às mudanças climáticas.
O governo de Sánchez e o PSOE enfrentam neste momento uma série de escândalos de corrupção e processos judiciais envolvendo antigos dirigentes socialistas e pessoas próximas ao primeiro-ministro.
Nesta quarta-feira, a Suprema Corte da Espanha manteve as condenações do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, antigo integrante da direção do PSOE, e de seu ex-assessor Koldo García por corrupção na compra de máscaras de proteção durante a pandemia de Covid-19.
Ábalos foi condenado a 24 anos e três meses de prisão, enquanto García recebeu uma pena de 19 anos e oito meses. A Justiça espanhola concluiu que os dois participaram de um esquema de favorecimento de empresas em contratos públicos, mediante o recebimento de vantagens indevidas. As defesas ainda poderão recorrer das condenações perante o Tribunal Constitucional.
Outro ex-dirigente do PSOE, Santos Cerdán, também é investigado por suspeitas de corrupção em contratos de obras públicas. Em julho, um relatório da Guarda Civil espanhola apontou que ele e seus familiares teriam recebido benefícios de mais de 300 mil euros cuja origem não havia sido devidamente declarada. Cerdán nega as acusações.
Os problemas judiciais também atingiram a família do primeiro-ministro socialista. Em setembro, a Justiça espanhola determinou que Begoña Gómez, esposa de Sánchez, seja julgada por suspeitas de tráfico de influência e desvio de recursos públicos. A Promotoria, porém, pediu sua absolvição, por considerar que os fatos investigados “não constituem crime”.
Já David Sánchez, irmão do primeiro-ministro, foi condenado em julho a nove anos de proibição de exercer cargos públicos por irregularidades envolvendo sua contratação por um órgão público na região espanhola da Extremadura. A defesa recorreu da sentença e pede sua absolvição.
Sánchez rejeita as acusações contra seus familiares e sustenta que eles são vítimas de processos com motivações políticas. O PSOE também afirma ter tomado medidas contra dirigentes envolvidos nos escândalos de corrupção.
Além dos escândalos de corrupção, Sánchez enfrenta dificuldades para manter sua base de apoio no Parlamento espanhol. No último dia 5, o primeiro-ministro anunciou a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro, depois que o Congresso rejeitou dois decretos de seu governo destinados a enfrentar a crise habitacional no país. A decisão encerrou antecipadamente a legislatura iniciada em 2023.
O governo socialista também enfrenta críticas pela crise migratória em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. Nos dias 30 e 31 de julho, cerca de 80 mil imigrantes atravessaram a fronteira com Marrocos e entraram na cidade. Documentos divulgados posteriormente mostraram que os serviços de inteligência espanhóis haviam alertado sobre o aumento das tentativas de entrada, embora não previssem uma movimentação daquela dimensão.
As pesquisas mais recentes mostram um cenário dividido para as eleições de novembro. Um levantamento do instituto GAD3, publicado nesta segunda-feira (12) pelo jornal ABC, apontou o partido de centro-direita PP na liderança das eleições parlamentares, com 31,4% das intenções de voto, contra 26,4% do PSOE. O partido Vox, da direita nacionalista, apareceu com 18,2%. Outra pesquisa, realizada pela Sigma Dos para o jornal El Mundo, também colocou os conservadores à frente dos socialistas.







