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Transparência

Presença de observadores internacionais causa polêmica

Autoridades dos estados do Texas e Iowa ameaçam deter e processar representantes de outros países

Obama, que votou antecipado, telefona para pedir ajuda de voluntários, em Chicago | Jewel Samad/AFP
Obama, que votou antecipado, telefona para pedir ajuda de voluntários, em Chicago (Foto: Jewel Samad/AFP)
Mitt Romney cumprimenta funcionários de call center em Pittsburgh, na Pensilvânia |

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Mitt Romney cumprimenta funcionários de call center em Pittsburgh, na Pensilvânia

Votos de Obama eram alterados para Romney por urna |

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Votos de Obama eram alterados para Romney por urna

A presença de observadores internacionais causou polêmica nas vésperas da eleição presidencial nos Estados Unidos, apesar de a maioria afirmar que só quer "aprender" sobre o processo democrático no país.

A porta-voz do Depar­­tamento de Estado, Victoria Nuland, afirmou que os países membros da OSCE – organização da qual os EUA fazem parte – monitoram a eleição de seus afiliados entre si e que Washington lhes dá as boas-vindas por ser "um livro aberto" e querer mostrar ao mundo que tem um sistema eleitoral "excelente".

"Os observadores devem obedecer as leis estatais. Temos entendido que pensam em cumprir plenamente as leis dos EUA", disse Nuland.

Neste ano, 40 dos 50 estados dos EUA foram anfitriões de observadores da OSCE e de outros órgãos não governamentais e universidades.

A OSCE, um órgão internacional de 56 membros e conhecido por seu trabalho de vigilância da integridade eleitoral inclusive em países com regimes autoritários, enviou observadores aos EUA para cada eleição legislativa ou presidencial desde 2002 sem incidente algum.

Proibição

Desde meados de outubro, o grupo enviou 44 observadores para diversos pontos do país, mas neste ano sofreu a resistência de autoridades do Texas, de Iowa e Ohio, estados que restringem ou proíbem a presença de observadores nos centros de votação.

O procurador-geral do Texas, Greg Abbott, apoiado pelo governador republicano Rick Perry, lembrou que, se algum observador da OSCE "estiver a 30 metros da entrada de um centro eleitoral", violaria a lei do Texas e poderia estar sujeito a processo.

O secretário de Estado de Iowa, Matt Schultz, também ameaçou com detenção e processo de observadores que se aproximarem a "91 metros" de um centro eleitoral nesse estado. Já o de Ohio, Jon Husted, advertiu, embora com menos dureza, que uma lei da Assembleia Geral proíbe que os observadores estrangeiros entrem nos centros de votação.

A OSCE se comprometeu a respeitar as leis, após explicar que a missão de seus observadores – que gozam de imunidade diplomática – será avaliar que as eleições dos EUA são realizadas com apego às "obrigações e normas internacionais".

O grupo, que em anos anteriores concluiu que as eleições nos EUA são livres e justas, embora possam melhorar em algumas áreas, deve divulgar hoje um relatório preliminar sobre o pleito de 2012.

FalhasVídeo mostra urna eletrônica que muda voto de Obama para Romney

Agência Estado

Um vídeo publicado ontem no YouTube mostrou o que seria uma urna eletrônica mudando o voto de um eleitor nos Estados Unidos. Na imagem, um homem tenta votar em Barack Obama e a urna marca automaticamente Mitt Romney como a opção escolhida.

De acordo com a emissora norte-americana CBS, o episódio aconteceu no condado de Perry, Estado da Pensilvânia. O eleitor que fez o vídeo disse que apertou o nome de Jill Stein, candidata do Partido Verde, e a urna funcionou normalmente. Depois, quando verificou o problema, pediu a uma voluntária que o ajudasse, mas não recebeu atenção.

"Perguntei a outros eleitores ao meu lado se estavam tendo algum problema e eles disseram que não. Então pedi a uma voluntária para me ajudar", relatou o homem, que se identificou como um profissional do ramo de informática. "Ela veio, olhou e disse calmamente, 'não precisa se preocupar, vai dar tudo certo', e voltou a fazer o que estava fazendo."

Depois da divulgação do episódio no YouTube, Ron Ruman, porta-voz do Departamento de Estado, declarou que a urna eletrônica foi "recalibrada" e voltou a funcionar normalmente depois de uma "falha momentânea".

Perguntas e repostas

Sistema eleitoral dos Estados Unidos diferem em muitos pontos se comparado com o do Brasil.

• Como funciona a votação presidencial?

Ela é indireta. Os eleitores dos 50 estados mais o Distrito de Colúmbia (DC), onde fica a capital, Washington, escolhem os delegados que formam o Colégio Eleitoral. Esse grupo é que elege oficialmente o presidente.

• Como é definido o número de integrantes do Colégio Eleitoral?

São 538, mesmo total da Câmara e do Senado somados. O número de delegados de cada estado é proporcional à população. Vence quem obtiver o voto de ao menos 270 delegados.

• O candidato vencedor em um estado recebe o voto de quantos delegados desse estado?

Todos, independentemente do tamanho da vantagem no voto popular. As exceções são Maine e Nebraska, que decidem os votos proporcionalmente.

• O que são "estados-pêndulo"?

São aqueles que mudam de preferência partidária a cada eleição – diferentemente de estados como o Texas (tradicionalmente republicano) ou Nova York (democrata). Vencer nele é crucial para os candidatos.

• Porque a apuração americana demora mais que a brasileira?

Porque a eleição nos EUA não é totalmente informatizada. Muitas seções ainda usam cartões perfuradas ou cédulas de papel. Não há um sistema eleitoral federalizado.

• O que ocorre se der empate no Colégio Eleitoral?

A Câmara dos Deputados, hoje dominada pelos republicanos, escolhe quem será o novo presidente do país.

• Os eleitores votam somente para presidente?

Não. Todas as cadeiras da Câmara são renovadas e parte do Senado. Os eleitores também votam diversas propostas de medidas legislativas ou emendas à Constituição sugeridas pela população. As propostas estão sujeitas à aprovação por maioria simples na maioria dos casos e abrangem temas como casamento gay, legalização da maconha e pena de morte.

• O democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney são os únicos candidatos?

Existem outros 15 candidatos, mas com baixíssima representação eleitoral. A candidata do Partido Verde, Jill Stein, é quem tem mais destaque no grupo dos chamados "alternativos".

Entrevista"EUA precisam ter mais interesse na economia latino-americana"

Diogo Costa, mestre em Teoria Política pela Universidade de Columbia e professor de Relações Internacionais.

Rodolfo Stancki

Como serão as relações entre EUA e América Latina nos próximos quatro anos?

A América Latina é o mundo esquecido para os EUA. Apesar da proximidade, no debate público, [os territórios] tornam-se distantes. Inicialmente, a posição deles com o resto do continente é de ignorância. A atenção econômica dos EUA está muito voltada para o leste asiático e não para os latino-americanos. Normalmente, quando a América Latina aparece na pauta política, o tema é voltado para o tráfico de drogas no México e na América Central.

Isso é bom ou ruim?

Os dois. Por um lado, não deve haver nenhuma aventura americana por aqui, como o que ocorreu com a Bolívia, por exemplo. Na tentativa de sufocar os cocaleiros, eles acabaram dando uma causa a um líder sindical, Evo Morales, que acabou se tornando presidente. A parte ruim é a falta de tentativa de reaproximação comercial com a América Latina, como houve com a ALCA. Qualquer iniciativa nesse estilo precisaria de mais contato com o Brasil, que não se mostra um líder econômico, por ser fechado ao mercado externo.

A abertura econômica brasileira melhoraria a relação com os americanos?

Sim. Mas não esse discurso não apela ao eleitor mediano norte-americano. Eles querem ouvir sobre quem é o culpado pelos milhões de desempregados no país. É mais fácil fazer uma retórica xenofóbica e culpar a China e a Ásia, do que deixar a economia mais forte, assegurando laços comerciais com o resto do mundo.

Além das drogas e do bolivarianismo, que outros problemas os norte-americanos precisam resolver na América Latina?

Os EUA precisam ter mais interesse em fortalecer a economia latino-americana. O Brasil tem uma economia muito fechada e com possibilidade de crescer, caso realize uma abertura de mercado. Imagine as empresas norte-americanas que viriam para o país se fosse mais acessível para o investimento estrangeiro. A cooperação é positiva. É preferível ter um vizinho rico a um pobre. Então seria melhor para os EUA se a América Latina se tornasse um vizinho rico.

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