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Instabilidade

Congresso do Peru destitui presidente interino José Jerí

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José Jerí assumiu a presidência do Peru em outubro do ano passado e foi destituído pelo Congresso nesta terça-feira, 17 de fevereiro. (Foto: Paolo Aguilar/EFE/arquivo)

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O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira o presidente interino do país, o conservador José Jerí, após apenas quatro meses de mandato e a menos de dois meses das eleições gerais. Segundo a CNN, o agora ex-presidente foi acusado de tráfico de influência por ter realizado encontros fora da agenda oficial com um empresário chinês. A decisão é a oitava mudança presidencial que o país atravessa em quase uma década de instabilidade política, iniciada após as eleições de 2016.

De acordo com a CNN, Jerí foi alvo de uma moção de censura, que exige o voto de 66 dos 130 parlamentares, ou apenas a maioria simples dos parlamentares presentes, caso a sessão tenha quórum menor. A moção desta terça-feira recebeu 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções; a defesa do agora ex-presidente afirmou que ele deveria ter sofrido um processo de impeachment (que exigiria uma supermaioria de 87 votos), mas que ele respeitaria a decisão do Congresso.

Opções para assumir a presidência são limitadas

Cabe agora ao Legislativo peruano escolher o próximo presidente interino, que completará o mandato atual até a posse do vencedor do pleito marcado para 12 de abril. Nas próximas horas, os grupos parlamentares terão de chegar a um acordo e inscrever os nomes de seus candidatos, para que as opções sejam debatidas nesta quarta-feira.

No entanto, com a convocação de eleições gerais em menos de dois meses e a baixa popularidade dos parlamentares, as opções de congressistas que geram consenso são limitadas. Dos 130 parlamentares, 57 concorrem ao Senado, 29 à Câmara dos Deputados e dois ao Parlamento Andino, restando 42 congressistas elegíveis, muitos dos quais estão sendo investigados ou questionados por diversos assuntos, o que dificulta a obtenção de apoio suficiente para assumir o cargo.

Até as 19 horas (horário de Brasília) desta terça-feira, não havia candidaturas oficializadas, mas alguns nomes já eram cogitados pela imprensa local, como a direitista Maricarmen Alva, do Ação Popular; o esquerdista José María Balcázar; e o militar aposentado independente Roberto Chiabra, que é candidato à presidência e teria de renunciar à sua candidatura.

Últimos dois presidentes peruanos eleitos não completaram mandato

Jerí assumiu interinamente a presidência no lugar de Dina Boluarte, deposta pelo Congresso em outubro de 2025 por “incapacidade moral” de lidar com a crise de segurança pública no país. Dina era a vice de Pedro Castillo, o esquerdista eleito em 2021 e que tentou um autogolpe frustrado em 2022, sendo destituído e preso. A instabilidade, no entanto, vem do mandato anterior. Eleito em 2016, Pedro Paulo Kuczynski renunciou em 2018, envolvido em um escândalo com a empreiteira brasileira Odebrecht; seu vice, Martín Vizcarra, também foi acusado de corrupção e sofreu impeachment em 2020. Sem mais vices, coube ao presidente do Congresso, Manuel Merino, assumir a presidência, mas ele durou apenas cinco dias e foi substituído por Francisco Sagasti, que concluiu o mandato e passou o poder a Castillo.

O último presidente peruano eleito a completar seu mandato, Ollanta Humala (2011-2016), está preso por corrupção, bem como seu antecessor Alejandro Toledo (2006-2011). A mulher de Humala, Nadine Heredia, também foi condenada na “versão peruana” da Operação Lava Jato, mas pediu e conseguiu asilo ao Brasil, refugiando-se na embaixada brasileira em Lima para não ser levada à cadeia – o governo Lula enviou um avião da Força Aérea Brasileira para retirá-la do Peru.

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