
Ouça este conteúdo
A presidente socialista do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta segunda-feira (16) que fará uma “doação financeira pessoal” a Cuba e voltou a defender a ajuda do governo mexicano ao país comunista como um “gesto de solidariedade” diante da crise econômica e energética que afeta a ilha.
Segundo Sheinbaum, a decisão ocorre após um apelo feito pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, que no último sábado (14) pediu contribuições para “apoiar” Cuba por meio de depósitos em uma conta administrada por uma associação civil. A iniciativa tem sido questionada pela oposição mexicana, mas, de acordo com a presidente, a entidade será auditada.
Em entrevista, Sheinbaum afirmou que o México mantém uma posição de apoio a Cuba, mesmo sob pressão internacional. “O México foi o único país que, apesar de toda a pressão, se opôs ao bloqueio contra Cuba. O único. Uma luz no horizonte. O México sempre esteve solidário com o povo cubano, sempre, uma nação irmã”, declarou.
Ela acrescentou que ajudar a ilha faz parte da tradição diplomática mexicana. “É nossa responsabilidade, sem colocar o México em risco, continuar apoiando o povo cubano, porque essa é a essência de quem somos”, afirmou.
De acordo com a presidente, a doação pessoal não altera a política externa do país, mas reforça o que classificou como um compromisso humanitário. Sheinbaum voltou a criticar as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, devido à forte repressão do regime comunista contra dissidentes, e disse que a crise na ilha não pode ser resolvida sem cooperação internacional.
Durante o governo de López Obrador, o México firmou acordos de cooperação com Cuba que incluíram o envio de petróleo e a contratação de médicos cubanos para atuar em regiões carentes do território mexicano. Conforme autoridades mexicanas, os envios de combustível ocorreram tanto por contrato quanto por razões humanitárias. O programa de médicos cubanos já foi diversas vezes denunciado por organizações internacionais pelo fato de o regime comunista cubano ficar com boa parte do salário que é pago ao profissional.
A declaração de Sheinbaum ocorre no momento em que Cuba enfrenta novos apagões nacionais provocados pela deterioração do sistema elétrico e pela escassez de combustível, fruto de má administração do regime. Nos últimos meses, a ilha sofreu vários colapsos do sistema elétrico, muitos deles ligados a falhas em usinas termoelétricas antigas e à dificuldade para importar petróleo. O mais recente ocorre nesta segunda-feira.
Questionada sobre denúncias de violações de direitos humanos em Cuba feitas por organizações internacionais, Sheinbaum afirmou que a situação política interna “deve ser resolvida pelos próprios cubanos” e reiterou que o México continuará enviando ajuda humanitária ao país, mesmo diante das críticas.








