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O Judiciário do Irã apresentou uma versão de sentença diferente da que foi anunciada por familiares em relação ao manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso nos protestos que tomaram as ruas do país. Inicialmente, ele havia sido condenado à pena de morte, segundo denunciaram organizações de direitos humanos, e sua execução estava marcada para esta quarta-feira (14).
No entanto, a agência de notícias Mizan, ligada ao judiciário iraniano, apresentou uma nova versão de sentença, depois de dias de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump.
"Soltani foi preso durante os distúrbios e acusado de reunião ilegal, ameaça à segurança nacional e atividades de propaganda contra o regime. Ele está atualmente detido na prisão central da cidade de Karaj", afirmou a agência.
"Caso as acusações contra o réu sejam comprovadas, a pena prevista em lei é a prisão, e a pena de morte não está prevista para esse tipo de crime", acrescentou a publicação.
Com a pressão de Trump, acompanhada de ameaças de intervenção militar, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deu entrevista à Fox News na quarta-feira e reiterou que não há planos para enforcar manifestantes detidos. "Posso afirmar com total confiança que não há planos para enforcamentos".
No mesmo dia, antes de serem divulgadas informações sobre a condenação de Soltani, o chefe do Poder Judiciário do Irã, Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, prometeu acelerar os julgamentos de manifestantes envolvidos com os protestos pelo país em meio à crescente preocupação internacional com a repressão brutal aplicada por agentes de segurança nas ruas.
Citado pela imprensa estatal, ele disse que os manifestantes acusados de violência ou "atividades terroristas” terão “prioridade no julgamento e na punição”.
Na última segunda-feira, a organização Iran Human Rights Governance (IHRNGO), sediada em Oslo, reiterou que tinha conhecimento por meio de relatos de suas fontes no país que pelo menos um manifestante corria risco de execução.
A ONG acrescentou que fontes próximas à família de Erfan Soltani, de 26 anos, afirmaram que ele foi preso em 8 de janeiro em Fardis, nos arredores de Teerã, e que seus familiares foram informados de que ele havia sido condenado à morte e que a execução ocorreria no dia 14.
A própria organização acrescentou que as autoridades iranianas às vezes usam tais ameaças como forma de pressão.
A ONG Hengaw também relatou que a irmã de Erfan Soltani, uma advogada, tentou acessar o caso por vias legais, mas as autoridades a impediram de ter acesso aos documentos do processo.
Os protestos que começaram em 28 de dezembro ganharam força nas semanas seguintes e se transformaram em um massacre a partir de 8 de janeiro, quando uma repressão em todo o país teve início, resultando em um número incerto de mortos, estimado por organizações como a IHRNGO em 3.428, com milhares de feridos e detidos.
As autoridades iranianas confirmaram até o momento a morte de mais de 150 membros das forças de segurança, mas ainda não divulgaram números relativos a vítimas civis, alegando que o processo de identificação dos mortos ainda está em andamento.
Na versão do regime iraniano, os protestos foram pacíficos entre 28 de dezembro e 7 de janeiro, mas tornaram-se violentos em 8 de janeiro devido à "infiltração de agentes estrangeiros armados" que buscavam provocar um banho de sangue para desencadear uma intervenção militar dos EUA.
Trump disse na tarde de quarta-feira que o regime do Irã não tem planos de executar pessoas que participam dos protestos que têm ocorrido no país nas últimas semanas.
“Fomos informados de que as mortes no Irã estão cessando e que não há planos para execuções”, afirmou a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, segundo informações da emissora CNN. “As mortes pararam. As execuções pararam”.




