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Crise

Protestos se espalham, e oposição exige renúncia do premier da Grécia

Jovens enfrentam policiais em Atenas: descontentamento com o governo | Louisa Guliamaki/AFP
Jovens enfrentam policiais em Atenas: descontentamento com o governo (Foto: Louisa Guliamaki/AFP)
Veja que protestam na Grécia se espalham por várias cidades |

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Veja que protestam na Grécia se espalham por várias cidades

Atenas - O terceiro dia consecutivo de protestos na Grécia registrou novos confrontos entre manifestantes e policiais, saques e destruição de lojas e incêndios. A escalada das manifestações, registradas em pelo menos 8 cidades gregas desde sábado, ontem foi acompanhada de um aumento no tom do discurso de lideranças da oposição.

O que começou como reação à morte de um estudante de 15 anos pela polícia de Atenas, no sábado, transformou-se num movimento cujos líderes cobram o fim do governo direitista de Costas Karamanlis.

"Chega deste governo, que não entende os problemas do país’’, declarou George Papandreou, líder do Pasok, partido social-democrata de oposição. "Estamos vivendo uma revolução social. Queremos derrubar este governo e suas políticas. Os protestos vão durar tanto quanto for necessário’’, disse Panagiotis Sotiris, porta-voz de uma coalizão de grupos esquerdistas que ontem invadiram a faculdade de direito de Atenas.

"Isso acontece num momento muito difícil para o governo. Se continuar, pode ter um efeito devastador para sua estabilidade’’, avaliou Anthony Livanios, presidente do instituto de pesquisas grego Alphametrics.

Dirigentes sindicais convocaram para amanhã uma greve geral contra a proposta de reforma trabalhista do governo. E professores universitários — cujas instituições foram invadidas por manifestantes — decidiram paralisar as aulas por três dias como protesto pela morte do estudante.

Na noite de ontem, o premier Karamanlis convocou o gabinete para uma reunião de emergência. Todo o efetivo policial do país, que tem 45 mil integrantes, está em alerta, no que é uma das maiores operações de segurança na Grécia desde a Olimpíada de Atenas em 2004 — primeira edição do evento após o 11 de Setembro.

O governo não divulgou números consolidados dos tumultos — só que houve mais de 50 feridos pelo país. Autoridades de Atenas relataram mais de 130 lojas destruídas, 35 prisões e 37 policiais feridos no fim de semana. Mas ontem um bombeiro confessou: "Não estamos mais contando. Os incidentes não podem ser contabilizados’’.

Confrontos

Os choques mais violentos entre manifestantes e policiais ontem ocorreram nas cidades de Salônica e Atenas, os dois principais centros urbanos gregos. Pela manhã, as ruas do centro da cidade nortista foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas autoridades em resposta às pedradas e coquetéis molotov arremessados por manifestantes de esquerda. Cerca de 400 jovens foram perseguidos pelos policiais, que detiveram dois deles.

Em Atenas, uma manifestação convocada pelo Partido Comunista com cerca de 10 mil participantes terminou em confusão. Grupos radicais lançaram bombas incendiárias e pedras contra postos policiais e lojas.

As manifestações contra o governo não ficaram restritas ao território grego. Houve protesto em representações diplomáticas do país em três outras cidades européias. A mais grave foi a invasão do consulado grego em Berlim, que ficou ocupado por cerca de 15 manifestantes durante oito horas. Em Londres e Nicósia (Chipre), os protestos ocorreram diante das embaixadas.

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