
O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou na quinta-feira (25) as comparações com o ditador soviético Josef Stálin, negou haver perseguições políticas, mas disse que a Rússia precisa de ordem e disciplina. Em um evento anual no qual responde a perguntas de cidadãos, com transmissão pela TV, um jornalista liberal citou várias sanções jurídicas a oponentes de Putin, e perguntou se não haveria elementos do stalinismo na forma como ele exerce o poder.
"Não vejo elementos do stalinismo aqui", disse ele. "O stalinismo está ligado ao culto à personalidade, a enormes violações legais, a repressões e campos de trabalho forçado. Não há nada assim na Rússia, e espero que nunca mais haja", respondeu Putin. "Mas isso não significa que não devamos ter ordem e disciplina."
Putin, ex-oficial da KGB, negou usar os tribunais para perseguir oponentes, o que era uma marca das três décadas de Stálin no poder na União Soviética, até a sua morte, em 1953. "Ninguém está colocando ninguém atrás das grades por suas opiniões políticas", disse Putin.
No mesmo dia, no entanto, uma entidade cívica foi multada sob uma nova lei que limita influências estrangeiras, um ativista da oposição foi preso por causa de um protesto contra o governo, e outro está sendo julgado por fraude. O ativista anticorrupção Alexei Navalny, possivelmente o principal oponente político de Putin na ausência de qualquer oposição parlamentar relevante, diz que seu julgamento por fraudar uma firma madeireira foi armado para silenciá-lo.
Sem citar Navalny pelo nome, mas claramente se referindo a ele, Putin disse: "Quem luta contra a corrupção precisa ser puro como cristal, se não tudo parece uma autopromoção e propaganda política".
Partidários de Navalny comparam seu julgamento ao do ex-magnata petroleiro Mikhail Khodorkovsky, que foi preso em 2005 por acusações de fraude e sonegação depois de se desentender com Putin. Ele continua na cadeia.
Nesta semana, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch disseram que o novo mandato de Putin, iniciado no ano passado, tem sido marcado por uma caça às bruxas conta dissidentes e pela maior repressão à sociedade civil desde a era soviética.



