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Ueno Bank

Quebra de banco digital desencadeia crise no Paraguai e derruba chefe do Banco Central

banco digital paraguai
O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que renunciou ao cargo. (Foto: Banco Central do Paraguai/EFE)

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A quebra de um dos maiores bancos digitais do Paraguai provocou uma crise financeira e política no país e levou à renúncia do presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). A instituição no centro da crise é o Ueno Bank, que possui cerca de 2,9 milhões de clientes e mantém aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos e investimentos de órgãos públicos paraguaios.

O banco digital sofreu uma intervenção do Banco Central do Paraguai depois que as autoridades do país identificaram que a instituição não tinha capital suficiente para continuar operando dentro das exigências legais paraguaias. Segundo o órgão, as reservas financeiras do Ueno Bank caíram para menos da metade do mínimo exigido, comprometendo sua capacidade de enfrentar possíveis perdas e manter as operações.

Com a medida, as operações do banco foram suspensas e os clientes ficaram sem acesso aos depósitos feitos nas contas da instituição, o que provocou protestos diante de agências bancárias. O Banco Central também iniciou um processo para avaliar a situação financeira da instituição e definir como os recursos depositados na instituição serão devolvidos aos correntistas.

A crise levou o presidente Santiago Peña a pedir a renúncia de Carlos Carvallo, que estava à frente do Banco Central paraguaio desde 2023. Antes de assumir o cargo, Carvallo havia dirigido a financeira Ueno, ligada ao banco que agora está sob intervenção.

Banco é investigado por irregularidades

A crise também colocou o governo de Santiago Peña sob pressão. O presidente paraguaio foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno Bank, até março de 2025.

O banco é investigado por suspeitas de ter concedido empréstimos irregulares a empresas ligadas aos próprios donos da instituição. Segundo as autoridades paraguaias, parte desses empréstimos teria sido liberada sem garantias suficientes e em valores acima dos limites permitidos pela legislação. Os investigadores também apuram se o dinheiro circulou entre empresas do mesmo grupo econômico, comprometendo as finanças do Ueno Bank.

As irregularidades começaram a ser identificadas pelo Banco Central ainda no primeiro semestre deste ano. Em 5 de junho, o órgão notificou o Ueno Bank e exigiu que os empréstimos fossem ajustados às regras financeiras. A fiscalização também encontrou problemas nos documentos apresentados pelo banco e dificuldades para comprovar algumas operações.

O caso passou a ser investigado criminalmente após a intervenção. Nesta terça-feira (3), o Ministério Público determinou a detenção de oito dirigentes do Ueno Bank, incluindo o vice-presidente da instituição, Federico Miguel Vázquez Villasanti. Nesta quarta-feira (4), os promotores apresentaram acusações formais contra 27 pessoas, entre administradores do banco e representantes das empresas investigadas. As suspeitas incluem fraude, administração irregular de recursos e descumprimento de obrigações contábeis.

Diante da crise, Peña defendeu a responsabilização dos envolvidos e afirmou que os problemas investigados pelas autoridades neste momento estão concentrados apenas no Ueno Bank e não comprometem o sistema financeiro paraguaio.

A crise levou deputados da oposição a apresentarem nesta quarta-feira pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente, Pedro Alliana. Os documentos foram apresentados com 35 assinaturas de parlamentares, que acusam o governo de favorecer o Ueno Bank e permitir a concentração de recursos públicos na instituição, incluindo dinheiro da previdência paraguaia.

"Todos conheciam as irregularidades. As altas autoridades não podem dizer que não sabiam", afirmou a deputada da oposição Rocío Vallejo, do partido Patria Querida, durante entrevista à imprensa paraguaia. Peña nega qualquer irregularidade.

A crise também provocou outra baixa no Banco Central. Nesta quarta-feira, o diretor Marco Aurelio González apresentou sua renúncia. Peña anunciou a indicação do economista Raúl Vera Bogado para assumir o comando da autoridade monetária.

Clientes aguardam devolução dos depósitos

O Banco Central informou que os depósitos feitos na instituição estão protegidos por um fundo de garantia até o limite de 228,3 milhões de guaranis (moeda local) por cliente, aproximadamente R$ 206 mil.

As autoridades anunciaram um pagamento inicial de até 10 milhões de guaranis por depositante, mas ainda não estabeleceram uma data para a liberação do dinheiro.

A intervenção no banco também afetou aposentados e pensionistas que recebiam seus benefícios pelo Ueno Bank. O Instituto de Previsão Social do Paraguai iniciou a transferência dos pagamentos para outras instituições financeiras e informou que trabalha para garantir a continuidade dos pagamentos dos benefícios.

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