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A queda do ditador Nicolás Maduro, capturado por forças dos Estados Unidos no último dia 3, significou também um grande golpe sobre a estrutura de financiamento, proteção e abrigo que estava sendo ofertada pelo regime venezuelano a guerrilhas colombianas e facções criminosas que operam na América Latina.
De acordo com análise publicada pela organização InSight Crime, a retirada de Maduro do poder já alterou o equilíbrio que sustentava a presença de grupos armados criminosos na Venezuela. Entre eles estão o Exército de Libertação Nacional (ELN) e outras guerrilhas dissidentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que haviam consolidado suas operações no país com base em acordos informais com autoridades chavistas locais.
Segundo o InSight Crime, esses grupos, além de outras facções criminosas, dependiam do território venezuelano para manter rotas do narcotráfico, explorar mineração ilegal e operar com menor risco de repressão estatal. Com a mudança política em Caracas e a pressão direta de Washington por resultados no combate ao crime organizado, essas garantias passaram a desaparecer.
Relatórios de inteligência citados pelo InSight Crime indicam que, após a captura de Maduro, comandantes e combatentes do ELN e de dissidências das FARC iniciaram movimentos de retirada ou redução de exposição em território venezuelano, sobretudo em estados fronteiriços. O recuo está sendo interpretado como preventivo diante do risco de ações coordenadas envolvendo Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.
O ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, afirmou no último dia 6 que o ELN se sente mais “inseguro” no território venezuelano após as ações dos Estados Unidos e busca agora consolidar sua presença em outras áreas. Outras estruturas criminosas que operavam com relativa liberdade na Venezuela, como a guerrilha Segunda Marquetalia e a facção criminosa Tren de Aragua, também já estão reduzindo suas atividades em solo venezuelano, diante da perda de proteção estatal e da maior previsibilidade de repressão.
A captura de Maduro também alterou o cálculo de risco de cartéis e facções transnacionais que operam na América Latina. Em análise à emissora Fox News, o vice-almirante aposentado da Marinha dos Estados Unidos Robert Harward afirmou que a operação realizada no dia 3 envia uma mensagem direta não apenas a traficantes, mas também a governos locais que oferecem abrigo e proteção a redes criminosas.
“Se vierem mexer no nosso quintal, vamos lidar com isso”, disse Harward, ao destacar a disposição de Washington de agir de forma direta contra o narcotráfico e seus apoiadores no Hemisfério Ocidental.
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