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Petróleo na Venezuela

Quem é o magnata que fez fortuna com Chávez e agora está no centro de um acordo com Trump

Alejandro Betancourt Lópe
O empresário Alejandro Betancourt López é visto como peça-chave para o governo Trump lucrar com indústria de petróleo na Venezuela (Foto: Annabelle Gordon/EFE/EPA e Alejandro Betancourt web/Wikimedia Commons)

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Alvo de investigações há décadas por corrupção na Europa e nos EUA, o empresário Alejandro Betancourt López emergiu como uma peça-chave em um acordo com o governo de Donald Trump para reestruturar a indústria do petróleo na Venezuela.

O magnata tem ganhado destaque nas negociações para o fechamento de um acordo que prevê participação majoritária do governo dos EUA em projetos associados a mais de 65 bilhões de barris das vastas reservas de petróleo do país sul-americano.

A influência de Betancourt López está diretamente ligada ao fato de sua família controlar a segunda maior petrolífera privada da Venezuela, a North American Blue Energy Partners (Nabep). Fontes relataram ao The New York Times que a Casa Branca estará à frente do megaprojeto, por meio do Escritório de Capital Estratégico do Pentágono, enquanto a empresa do venezuelano lideraria as operações em terra. O acordo abrange 17 campos das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela.

A líder interina do país, a chavista Delcy Rodríguez, apoiou explicitamente o acordo que, segundo ela, terá um “impacto significativo na recuperação da nação” e pode gerar mais de US$ 200 bilhões em receita tributária para o regime.

Empresário fez seu nome nos negócios durante crise na era Chávez

Betancourt López esteve entre os empresários que fizeram fortuna durante uma das crises mais profundas lideradas pela ditadura de Hugo Chávez. Na ocasião, o líder socialista ampliou a intervenção do Estado na economia, contribuindo para o nascimento de uma nova elite empresarial na Venezuela, que arrecadou bilhões de dólares durante uma crise energética que atingiu o país - o empresário e outros investidores da época ficaram conhecidos como “meninos bolivarianos” ou “bolichicos”.

Com seus 30 e poucos anos, foi convidado pelo regime chavista a fechar uma parceria para a construção de diversas usinas termelétricas em todo o país. Segundo a organização Transparencia Venezuela, o empresário conseguiu 12 contratos com o regime Chávez em menos de 14 meses, mesmo sem apresentar experiência nesse tipo de atividade. Os cálculos do portal estimam que foram destinados US$ 2,9 bilhões dos cofres públicos para o projeto.

Acredita-se que a ascensão de Betancourt López esteja relacionada à sua estreita relação com outro empresário, Javier Andrés Alvarado Pardi, filho do ex-presidente da Electricidad de Caracas, Javier Alvarado Ochoa, também investigado por corrupção nos EUA, na Europa e dentro da Venezuela.

Em Nova York, o interlocutor das negociações com Trump foi denunciado como um dos conspiradores no esquema de fuga de capitais que envolveu o desvio de US$ 1,2 bilhão da estatal de petróleo e gás natural da Venezuela, PDVSA, e pelo qual um grupo de ex-funcionários e empresários venezuelanos foi condenado. Na Europa, o empresário é investigado pela aquisição de propriedades de luxo, incluindo um castelo na Espanha, após fechar contratos com o regime chavista. Apesar de os processos tramitarem por décadas, ele não foi formalmente acusado pelos crimes.

Depois de 2010, ele adquiriu uma participação na empresa petrolífera Petrozamora, que operava campos de petróleo no Lago Maracaibo, no oeste da Venezuela, e que futuramente se tornaria a Nabep, sua empresa com sede em Barbados que afirma produzir cerca de 200 mil barris por dia, atualmente.

Conexões com Trump

Um dos fatores que teria chamado a atenção do governo de Donald Trump seria essa combinação de sucesso no setor petrolífero e sua capacidade de transitar entre empresários locais e autoridades do regime chavista.

Mas a conexão com o presidente americano não teria começado há pouco tempo. O jornal The Washington Post noticiou em 2019 que Alejandro Betancourt López contratou o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, que foi assessor e advogado pessoal de Trump, para ajudá-lo a lidar com uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre suposta lavagem de dinheiro e suborno.

Apesar de não ter sido citado como denunciado, o empresário venezuelano foi citado como cúmplice em uma denúncia criminal que acusa altos funcionários da companhia petrolífera estatal da Venezuela, líderes empresariais e banqueiros de roubarem dinheiro da empresa e depois lavá-lo por meio da compra de imóveis em Miami e em outros esquemas de investimento.

Além de ser visto como um empresário bem-sucedido na iniciativa privada e com influência dentro do regime chavista, a investida de Trump na parceria com Betancourt López para a concretização do acordo energético com a Venezuela estaria ligada a um interesse do governo americano na aquisição de uma participação passiva de 35% na North American Blue Energy Partners. Além disso, os EUA teriam garantido direitos preferenciais para a compra de 20% da produção a preço de custo, segundo disseram fontes ao The Wall Street Journal.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou o acordo como uma “grande vitória” que garantiria petróleo a baixo custo no Hemisfério Ocidental e preços mais baixos da gasolina para os americanos.

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