
Militares renegados invadiram ontem o palácio presidencial e sequestraram o presidente do Níger, Mamadou Tandja, e vários ministros de governo, de acordo com fontes que estavam próximas ao local.
Uma densa coluna de fumaça podia ser vista saindo do palácio durante a manhã e pelo menos três militares foram atendidos em um hospital da capital, Niamei. Fontes médicas estimam que o número de vítimas deve subir, já que muitos civis feridos podem ter evitado ir aos hospitais com medo dos choques entre soldados rebeldes e forças leais ao governo.
O ataque aconteceu quando Tandja participava de uma reunião de gabinete com a cúpula do governo. Segundo testemunhas, os soldados chegaram em veículos blindados e carregavam um pesado arsenal. A troca de tiros com a guarda presidencial teria durado pelo menos três horas, fazendo com que as ruas do centro da capital nigerina ficassem desertas.
O sinal mais claro do triunfo do golpe veio, entretanto, da rádio estatal, que, no início da noite, interrompeu sua programação para transmitir músicas militares. O mesmo ocorreu nos três últimos golpes de Estado no país, o último deles em 1999.
Reviravoltas
A estabilidade política do Níger maior produtor de urânio da África sofreu sua onda de abalo mais recente em maio de 2009. Na época, Tandja dissolveu o Parlamento. Com o Parlamento deposto, um referendo foi realizado em agosto, abrindo caminho para que o presidente nigerino ficasse mais três anos no poder, além do limite constitucional. Tandja exercia, então, seu segundo mandato de cinco anos.
Ontem, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu às partes que restabeleçam a ordem constitucional no Níger.







